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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

And the Oscaralho goes to... Sergi López

Um pouco de timidez, uma entrega honesta e generosa fazem deste actor de rosto camponês aquele homme d’à côté que apetece enfiar na cama muitas vezes para viver um segredo picante e doce. Mas o que o faz merecer o Oscaralho desta edição é o desempenho perfeito no filme Une liaison pornographique. Não é para todos, nem esse tipo de relação, nem esse modo raro de foder falando e ouvindo falar.

Com um parceiro destes, eu seria Natalie Baye.

Reparando melhor, entre os minutos 29 e 33, Natalie, c’est moi!


(Não encontro na Net o filme em francês, o que é uma pena, porque foder na belle langue é outra coisa, n’est-ce pas?)

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Oscaralho for the best “quickie” ever

O nome Ralph Fiennes no cartaz é um bom argumento para Méssaline escolher o filme.

Aquela voz melíflua a arrastar mistérios adensados pelo olhar quase vazio de tão cinzento, o toque aristocrático nos gestos suspendem a respiração. Mas onde ele aparece mais convincente é na cena do “Happy Christmas” d’O Paciente Inglês. Aprendei, homens de fraca vontade e de habilidade nenhuma para uma rapidinha («aqui não, pode aparecer alguém», «ali também não, que não dá jeito»). Reparai nas palavras que convencem a partenaire, na elegância com que lhe tira a flor-laço-broche, no modo rituálico como a despe, no polegar na boca dela — uuuuuuh... —, nos beijos de fome. Que belo presente de Natal!

Reparai que o essencial acontece: a concentração de todos os elementos de uma boa foda em escassíssimo tempo, dando que fazer a vários órgãos sexuais, incluindo o cérebro. O resultado? Uma insustentável vontade de foder maaaais, muuuuuito!

Vai para ele o Oscaralho desta segunda edição.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

And the Oscaralho goes to...

Méssaline gosta de cinema. Pelas voltas dos enredos, o escuro das salas, ambiente para subtis jogos de mãos, pela oportunidade de regalar o olho com alguns expoentes máximos da beleza masculina. Às vezes, fica tão atordoada com os vigores da musculatura, a solidez do ventre, as colunas das pernas, o langor ou a investida do olhar, a polpa dos lábios, os sorrisos solares... uffff... que, findo o filme, fica a pasmar para a ficha técnica, até que a penetrem afinidades entre os nomes e as coisas, brotando óbvios trocadilhos, obtusos trocadalhos.

Ocorre a Méssaline um elenco luxurioso, talvez para um documentário, uma vez que alguns deles já partiram. («Morrem cedo aqueles a quem as deusas mamam...»)

Como preliminar, em jeito de trombeta do Aporcalhipse, um primeiro plano com o Pau Newman, depois, uma cena com o Brad a comer Pitto, muito joliment, seguido de um primeiro plano incidente — e reincidente — no apelido do Sean Pénnis, e, por enlace homónimo, chamar o outro Sean, o Connary que, se assim se chama, nobres serviços deve prestar à causa. (De passagem, é justo que se afirme a qualidade de vinho do Porto que este senhor exibiu...)

Para incitar as espectadoras a conceber belle giornate particolari com o amante italiano que lateja na cabeça de toda a mulher de inclinação fantasiosa, incluir uma cena, trágica ou cómica, tanto faz, que o varão transpira talento por todos os poros, com Marcello Marturbanni. Prosseguir com a câmara a passear sobre aquele palminho de cara do Alain Delong, em que apetece dar beijinhos até ele chamar pela mãezinha; pedir ao Johnny que se deixe de fantasias alicinas e chocolácticas e que venha mesmo deep, deep e ao Roger, more, MORE!, zero-zero-setamente, e sem vírgulas centesimais!


And lust not least, o homem que Marilyn Monroe considerou o mais sexy do mundo. Deixemos o mau feitio do moço e o que o tempo fez ao corpo do homem, que não são chamados a esta colação. Concentremo-nos nas performances até ao Último tango em Paris, hímnico canto do cisne.

Detenhamo-nos no pedaço de perdição daqueles lábios distendidos em permanente oferecimento, no olhar que apetece tomar todo de uma vez, mas que permanece longínquo, incapturável, na voz indolente, rouca, e sonhemos com todos os marlons sussurrando brandas palavras, longos polissílabos, que ampliam uma música ex-po-nen-ci-al-men-te túsica da língua.

Vai para ele o Oscaralho desta edição!