terça-feira, 16 de setembro de 2014

A vida de Méssaline

Por estes dias, começam os caloiros a chegar às universidades. Talvez por causa disso, recuperei do poço da memória, para minha própria surpresa, a letra de uma canção autobiográfica que escrevi nos idos em que também eu era caloira e aprendia a adaptar-me a uma nova realidade: cidade grande, controlo parental nulo.

A letra deve ser cantada ao som do tradicional “Mal-me-quer, Bem-me-quer”. Perdoem uma certa infantilidade do tema e da versificação, bem como a jovial desfaçatez — a juventude explica muito.



Cheguei um dia à FEUP,
Era caloira e tremia,
Mas já então o meu charme
Muito coração partia.

Apareceu-me um “engenheiro”
Que queria ver se me assustava,
Mas passado pouco tempo
Já aos meus pés ele se ajoelhava.

Não tenho culpa se sou
Uma moça tão jeitosa,
Nem que haja por aí
Tanta engenheira horrorosa...

Lá vem mais um engenheiro
Que por mim ficou apaixonado.
Vai com calma, engenheiro,
Primeiro há que ser seleccionado.

A vida de Méssaline
É uma vida atribulada:
Não é fácil habituar-se
A ser-se assim desejada.

Desta vez foi um “doutor”
Que não resistiu aos meus encantos.
São Fornício, o que é que eu faço?
Não pensei que pudessem ser tantos!

7 comentários :

  1. quem me dera que tivesses sido "minha" caloira Méssaline encantadora.....

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    1. Charles, mon cher, Méssaline também teria gostado da experiência de ser sua caloira, porque tenho a certeza que as suas praxes seriam doces e brandas, comme Charles. ;-)

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  2. Tens sorte que a Universidade não estava em obras senão também terias alguns poemas de trolhas aos teus pés... :P

    bjs

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  3. Ohhh minha querida Méssaline
    Como o mundo é pequeno. Pensar que compartimos a mesma escola, escutámos os mesmos mestres. Calcorreámos as mesmas travessas. Gozámos os prazeres da juventude nos mesmos jardins. Provavelmente alguns anos nos separam. Como seria a tua cidade grande? Tão semelhante ou tão diferente da minha?
    Ah!!... como gostaria de te ter escutado a trautear a tua canção…

    Um beijo

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    1. Bem, a FEUP não é propriamente pequena (se não me engano, é a maior faculdade do país — em mais do que um sentido, heheheh), há muito que compartilhar.

      Não sei se tivemos muitos dos mesmo mestres — depende do curso, não é?

      Provavelmente calcorreámos as mesmas travessas, porque ainda estudei na Rua dos Bragas / Coronel Pacheco. (Os trolhas a que se refere o Nuno Amado estavam demasiado longe para me conseguirem ver do alto dos seus andaimes.)
      Mas não nos devemos ter cruzado nos corredores, se interpreto bem o título do seu blog...

      Bisous (também ao Nuno, que me esqueci).

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  4. Venham de lá então as cantadas da praxe...

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