sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O passatempo duma ocidental

Méssaline, embora não despreze outros, tem dois momentos do dia preferidos para as práticas fornicosas. De manhã, ao acordar, e ao fim da tarde.

De manhã, agrada-lhe a sensação de um pau bem desperto a roçar-se-lhe nas nádegas. E uma foda pela manhã, com janelas abertas para ser lambida pela brisa fresca, se for Verão, bem aconchegada no calor do edredão, se for Inverno, é a melhor maneira de começar o dia.

Ao fim da tarde, inspiram-na os quebrantos da luz reclinada, a sensação de encerramento do dia com chave de ouro.

Enquanto a matutina, pelas exigências próprias da agenda diária, normalmente, dá em rapidinha, a vespertina é propícia a imaginações dilatáveis até ao anoitecer. O bulício das ruas onde passa um rio de gente que regressa a casa com melancolia, as sombras que se alongam despertam-lhe um desejo obtuso de foder.

Então, pede ao companheiro que lhe bata bem no fundo, levando-a ao céu dos felizes que se vêm. Ocorrem-lhe memórias e fantasias de fodas noutras cidades, àquela hora mágica: Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Em Madrid, foi com um engenheiro civil que a atesoava, porque mal a via, se punha a saltar de viga em viga sobre as edificações emadeiradas que nem um gato.

Em S. Petersburgo, com um engenheiro naval que ela pescou quando errava pelo cais, de jaquetão nos ombros largos. Arrebitou logo o grelo por lhe fazer evocar a fauna e faina marítima do presente e do passado: marinheiros, baixéis, couraçados ingleses, escaleres, heróis da navegação, da escrita e do pinanço a torto e a direito.

Embrenharam-se os dois num beco da Avenida Névski e foi daquelas contra a parede, que lhes soube que nem ginjas.

Em Paris ou Berlim, já não se lembra bem, porque o seu mapa-múndi pessoal é mais foda-a-foda do que cidade-a-cidade, foi com um dentista. Na rua havia uma atmosfera feérica propícia ao devaneio da mente e do corpo: um trôpego arlequim bracejava numas andas, querubins do lar flutuavam nas varandas. Méssaline sacudiu as ancas opulentas de varina, roçou-se nas pilastras, e o clínico já a naufragar nas tormentas da tusa e a pensar: «Aquela quer é que eu lhe descarregue qualquer coisa na canastra.»

Subiram ao quarto de um hotel flamejante e foi um mete-e-tira da broca, um pi(n)ça para cá e para lá, que deixou Méssaline de boca aberta todo o tempo. De espasmo e de pasmo.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Cansada, mas não saciada

Foi longo o dia de trabalho, pelo que se impõe evocar o lendário lema messalínico: «Cansada, mas não saciada».

Na verdade, nem isso me tira a vontade de foder contigo. Esperar-te numa cama confortável, abrir-te os lençóis e o meu corpo, beijar-te, lamber-te e chupar a delícia da tua piça, apertá-la nas minhas mãos, dar-lhe dentadinhas breves e leves, senti-la a dilatar-se e a entesar-se rodeada pelos meus lábios para depois a convidar a entrar na minha cona, já preparada pela mestria da tua língua. Pensar nisso, oh, deuses, como me arrepia a pele, me faz ansiar pelo nosso próximo encontro... Ah, e dar-me-ias esse caralho gostoso por trás, agarrando-me nas ancas para marcar um ritmo determinado, veemente. Para mim, essa posição é... uf!... divina, rainha. Ou apoiar as minhas pernas nos teus ombros, o que me permite sentir cada centímetro do corpo generoso da tua piça. Claro, gostaria de um desfecho condizente com este enredo. Que tal dares-me o teu leite no meu peito (an all-time favourite, as you well know...), para eu espalhar pelo meu corpo e prová-lo suavemente nos meus lábios?

Ai, que farei quando a cona me arde? Fiquei sem sono e já nem cansada estou. Tivera aqui o meu gladiador para um combate corpo a corpo, a sua espada a atravessar-me.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Bibliografia fodida (5): antologia lusófoda

  • Mário do Caralho, Coitos vagabundos
  • Pedro Conais, A Lenda do Mete-em-Regos
  • Jorge Mamado, Gabriela, pau no cu dela
    Jorge Mamado, Capitães: na areia, na água, na relva, everywhere...
  • Miguel Tora, Bichas

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Paus

Paus que roçarem glandes pela minha cona em ouro...
Vindo-se, longínquos, sobre Outros Seios... Enrijece o louro
Fauno na tusa do poente... Corre um frio carnal por minh’alma...
Tão sempre a mesma, a Tusa!... Baloiçar de peitos ao sabor da alma...
Silêncio que as follas extinguem em nós... Outono deleitado
Do encanto de verga ávida... Azul esquecido em enrabado...
Oh que tenso grito de ânsia em mim explode!
Que espasmo em mim anseia por outra piça que a que me fode!
Estendo as mãos para alguém, mas ao estendê-las já vejo
Que não é aquilo que quero aquilo que desejo...
Caralhos de Imperfeição... Ó tanta ambiguidade
A tora expulsa de mim-Tempo!... Onda de recuo que invade
O meu abandonar-me a mim própria até desfalecer,
E recordar tanto o Tu presente que me sinto esquecer!...
Fluido de auréola, tumescente de Foi, oco de vir-se...
O Mistério sabe-me a eu ter outro... Luar sobre o não conter-me...
A vizinhança é hirta — a tusa que alivia à mão
É mais minha do que dela... Pra que é tudo isto?... Foda-mão...
Mineteiros de despropósito lambendo de Honra os Aléns!
Passantes fechando os olhos ao espaço em que são eros de erro...
Fanfarras de orgasmos de silêncios futuros... Longe vens...
Colhões vistos longe... através das árvores... tão de ferro!...

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Agora que falas nisso…

Recuperava o fôlego e saboreava as últimas réplicas do orgasmo no remanso do pós-foda. Ao meu lado, o X., o meu mais fiel amante, o porto seguro onde garantidamente me pude refugiar sempre que os mares tempestuosos das paixões ameaçaram fazer naufragar o meu barco.

Os braços e a perna direita dele rodearam-me em tom de súplica e eu soube que chegara o momento em que o X. me imploraria que ficasse, em que manifestaria a angústia de me saber fora no fim-de-semana que se avizinhava — e que eu não estaria com ele, mas com outro.

— Não faças cenas, X. — disse-lhe. — Aproveita o momento em que estou contigo, não reclames daqueles em que não estou. Neste momento sou tua e de mais ninguém!

— O clichê diz — começou ele após uns segundos de silêncio — que a mulher é fiel, centrada no amor, emocionalmente entregue, que tudo o que quer é ficar com o “seu” homem, enquanto o homem é desprendido, sexualmente infiel, conquistador inveterado, fixado no sexo. Então olho para nós e vejo a ironia: na nossa relação, emocionalmente, eu é que sou “feminino” e tu é que és “masculina”...

— Não está mal vista, não, essa análise psicológica — concordei. E com uma risadinha: — De facto, frequentemente sinto um homem dentro de mim...

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Amante de homens mil

Amante de homens mil, entre os quais destaco Camões e Bocage, confesso o meu favoritismo por Fernando Pessoa. Adorava metê-lo nos meus lençóis e introduzi-lo nos paraísos da carne. Excita-me a sua aparente virgindade e constante punhetice. Excita-me ele ser muitos. Um homem com tantas personalidades não me cansaria. Um dia com o arrebatado Álvaro de Campos, a foder pelos becos da cidade; outro, a aquecer o frio e contido Ricardo Reis; depois, a esfodaçar pela natureza, com Alberto Caeiro. Se me apetecesse uma dança aristocrática, pedir-lhe-ia a máscara do Barão de Teive; se preferisse mordiscar petiscos estrangeiros, convidaria Alexander Search. E depois os outros todos...

Não desdenho a verga pujante do nobelizado Llosa ou do tropicaliente Jorge Mamado, nem a língua do cínico António Lambe Antúrios, nem ser levada à sétima esfera pelos coitos vagabundos com Mário de Car(v)alho. E porque não desprezo os neófitos, desde que talentosos, sonho com um dueto com o fulgurante e polivalente Afonso Cruz, que faria da minha cona uma harmónica.

Depois os imediatamente acessíveis: louros, morenos, altos, baixos, peludos como gorilas, de pele lisa como golfinhos, jovens de gestos ansiosos, maduros buscadores de pinanço a torto e a direito, nacionais e estrangeiros, com preferências para os dedicados italianos e os aplicados eslavos, passantes na rua que me trespassam com a selva de um olhar, músicos de pose lasciva, professores que pregam os olhos no meu corpo, médicos que se surpreendem quando lhes entro no consultório, empregados de mesa que retêm suspiros enquanto me servem o linguado ou a salpicão e eu lhes escrutino as reacções da zona escrotal. E que dizer dos disponíveis desempregados, ávidos de uma satisfação qualquer, dos colegas que se calam quando passo, dos chefes que se levantam quando chego, dos toureiros que exibem as suas cinturas varonis, dos businessmen-vedetas entesoados pelo ganho de mais um milhão, dos frequentadores de ginásios que transpiram testosterona?

Ah, não ser eu toda a amante em toda a parte, senti-los todos de todas as maneiras...

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Méssaline está no Facebook!

A partir de hoje, Méssaline está no Facebook!

E, porque o Facebook estimula os seus utilizadores a fornecerem o seu nome verdadeiro (e Méssaline adora ser estimulada!...), a conta está em nome do mais portuguesito Messalina Sá Lopes. (As minhas desculpas a quem se desapontou...)

Amiguem-se-me!*


* (Termo em tempos deliciosamente prevaricador. Ainda é usado?)

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Nunca dizer desta água não beberei

Seguiam tu e ele pelo bosque, de mãos vazias, no retorno de uma frustrante incursão aos cogumelos. A copa das árvores não os deve ter deixado ver o relâmpago, porque o ribombar do trovão apanhou-os completamente de surpresa, e ainda não estavam refeitos do susto quando a tromba de água se abateu sobre os dois.

Largaram em corrida desesperada pelo trilho enlameado. Dois quilómetros mais à frente, ensopados e com os pulmões a arder do esforço, encontraram abrigo na velha casa florestal abandonada. Arfando, de faces ruborizadas e por vezes rindo sem saber porquê, ficaram os dois no alpendre da construção arruinada a assistir ao espectáculo dos elementos.

— Os céus estão a ter um orgasmo — disseste com naturalidade, e pelo canto do olho observaste-lhe a reacção. Ele nada disse, talvez porque o inesperado comentário lhe secasse a resposta na garganta, talvez porque a trovoada tivesse abafado as tuas palavras. Talvez...

Ficaste mais uns segundos a fingir que te maravilhavas com os relâmpagos e depois viraste-te e entraste na casa, aproveitando o movimento para inspeccionar com o teu olhar treinado as vizinhanças da braguilha dele: uma poderosa tumefacção gritava para saltar cá para fora. Talvez a trovoada não fosse tão forte assim...

Percorreste a penumbra das divisões atulhadas de caliça caída do tecto e folhas sopradas pelo vento com ele sempre atrás de ti. De repente deste meia volta e fizeste-o parar com uma mão no peito e outra no chumaço das calças. Em menos de um ai já estavas de joelhos e a piça dele estava cá fora, dura como pedra, não fossem as grossas veias que pulsavam com vida.

Abocanhaste-a com sofreguidão, engolindo-a quase até te engasgares. Repetiste duas ou três vezes e depois entrou a língua em acção, rodeando-lhe o talo como a serpente do Paraíso à volta da árvore do conhecimento do bem e do mal. Depois mordiscaste-lhe a glande, uma ou outra vez exagerando um pouco, ao que ele reagiu com um leve estremecimento de dor — ou talvez de prazer, pois no limite da audibilidade disse-te «Sim, sim, faz assim...». Voltaste ao entra-e-sai, agora com mais insistência, e a certa altura sentiste-lhe o pau a ficar com a tensão que prenuncia a explosão, como o ar antes de uma trovoada de verão. Paraste.

Por esta altura já estavas toda molhada. Não apenas na roupa, da chuva, mas também na cona, que pingava e fremia de antecipação. Estiveste quase a levantar-te para saciar o rugido que te consumia entre pernas, mas, sabe-se lá porquê — certamente contra as tuas declaradas preferências —, naquele fim de tarde de Outono a sede dos teus lábios levou a melhor sobre a quase sempre vencedora fome da tua cona, e as pernas recusaram-se a erguer-te.

Olhaste para cima: na semi-obscuridade da casa florestal conseguias ver-lhe o brilho dos olhos, e ele via certamente a chama lubricosa que irradiava dos teus. Quando a luz de mais um relâmpago iluminou por breves instantes a cena, engoliste-lhe de novo o caralho, mais fundo e com mais determinação do que antes.

A piça dele desaparecia na tua boca e assomava de novo, uma e outra vez. Com o fôlego ainda não totalmente refeito da fuga à chuva, a que se somava a excitação, respiravas pelo nariz, inspirando com sofreguidão e expirando ruidosamente, em crescendo notório. Crescente era também a cadência do vaivém, e da urgência com que mamavas. Lá fora os trovões tinham já sossegado e no silêncio da casa — dir-se-ia que dezenas de metros à volta dela, mesmo — só se ouvia a tua respiração modelada pelo desespero da tusa.

Enquanto chupavas ergueste os olhos e ele leu-te neles que aquilo não eram preliminares, que a tua boca clamava por receber a esporra dele. Então, todo o autocontrolo que a custo congregara se lhe desvaneceu. Tu insististe com mais convicção, sugando como se a tua vida dependesse disso, e após um clímax que sentiste nos lábios, numa explosão libertadora, ele inundou-te a boca com o leite espesso e quente, enquanto te enfiava os dedos nos cabelos rebeldes.

Lambias ainda os lábios lambuzados de esperma quando te levantaste, um olhar maroto a iluminar-te a cara.

Hmmm, divinal, mon cher! Adorei o teu recheio — disseste.

— F...foi de-li-ci-o-so... — silabou ele, quase tão sem fôlego quanto tu. — Apanhaste-me totalmente de surpresa, Méssaline. Tinha ideia que um broche all the way não fazia parte do teu menu de preferências...

— A boca, tal como a cona, tem razões que a própria razão desconhece. Hoje apeteceu-me assim, gargalo nos beiços e toca a aviar. De qualquer forma — disseste após uma pausa teatral —, eu nunca fui mulher de dizer desta água não beberei...

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Há homens assim

Era uma tarde de verão e ele enviou-me um sms: «Vem sentar-te comigo, Méssaline, à beira do rio».

Hesitei, pois a luz aguda e o calor ainda picavam e, principalmente, porque estava com disposições muito mais forniciosas do que contemplativas. Aceitei com a condição de ser mais tarde, já perto do crepúsculo, hora conselheira em matéria de lascívia.

Lá fui, estava ele, muito sossegadamente, fitando as águas levemente correntes. Pediu-me para enlaçarmos as mãos porque a vida passa como o rio, dizia.

Obedeci, mas aquela água a fluir, o levantar das brisas vespertinas e as mãos quentes começaram a fazer-me subir calores e humores lubricosos. Pus-me à sua frente e levei as suas mãos até às minhas mamas, lembrando-o de que aí, sob essa carne, para além de a vida também passar, corre um rio de sangue quente.

Insistiu que fôssemos inocentes, que tudo passa e nenhum envolvimento vale a pena. E eu, pousando-lhe a mão aberta sobre a braguilha:

— Deixa-te de brincar às crianças adultas antes que a tusa passe como a vida.

— Mas depois disso nada regressa, não há mais nada.

— Se ficares sempre para aí parado, a tusa nunca há-de vir nem partir, nem regressar.

— Vai tudo para muito longe, para o pé do Fado.

— Eu é que vou para bem longe, se continuas com essas conversas de empata, vou para o lado da Foda.

— Não vale a pena cansarmo-nos. Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.

— Então, pelo menos gozemos. Gozemos até ao fim, até ao fundo.

— Mais vale saber passar silenciosamente, sem desassossegos grandes. Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz.

— Deixa-me começar, que o mastro logo se levantará, pronto para zarparmos desta pasmaceira e gritar até revirarmos os olhos de inveja aos passantes. Iniciemos esta viagem de vaivém, assim, suavemente, a teu gosto, amigo.

— Amemo-nos apenas tranquilamente.

— Sim, pode ser, mas totalmente. Osculemo-nos pelo corpo todo, por dentro e por fora, demos apertados amplexos e permutemos carícias íntimas sem limites.

— Mais vale estarmos sentados ao pé um do outro ouvindo correr o rio e vendo-o.

— Lá vens tu com a mesma história. Olha, ficamos a ouvir e a ver o rio, mas um enfiado no outro.

Devíamos colher flores.

— Pode ser, mas para me excitares com uma chuva de pétalas sobre o meu colo, que depois banharás com o teu rio, com a tua espuma, e para ficarmos assim não crendo em mais nada a não ser no presente da nossa divina foda, ali debaixo daquela sombra. Sempre que por ali passarmos teremos lembranças ardentes. Ou vamos ficar aqui como patetas inocentes?

— Se apenas fitarmos o rio, quando já não estiver contigo, nenhuma lembrança te ferirá.

— Quando aqui não estiveres, também colherei flores com que ornarei a minha fronte de ninfa pagã, em tua homenagem. Foderei com o barqueiro a lembrar-me da foda que dei contigo, aqui, mas só se agora te deitares comigo à beira-rio e me satisfizeres as vontades da carne. Levanta-me as saias até ao regaço, lambe-me e morde-me a cona até ela se vir na tua boca e depois, vem-te, em cascata, em rio, sem contenção, que isso que propões, Ricardo, é para a casta e sonsa Lídia.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Responso de São Fornício
e de (quase) todos os santos

São Fornício, meu padroeiro,
o que eu rebolava num palheiro...

Santa Carlota,
ai que saudades de uma cambalhota.
Santo Ambrósio de Milão,
dai-me um homem fodilhão.
Santa Basilissa,
a minha cona clama por piça.
São João de Brito,
ai que fome sinto no pito.
Santa Catarina de Alexandria,
já fodia, já fodia!
São Barnabé,
alguém que me foda de pé!
Santa Veridiana,
quero uma foda à canzana.
São Vicente de Saragoça,
quero mamar numa piça grossa!
Santa Doroteia,
de abundante esporra tenho a boca cheia.
São Nicolau,
entre as minhas pernas quero um grosso pau.
Santa Isabel, rainha,
já me vinha, já me vinha...
São Vladimir,
estou-me a vir, estou-me a vir!
Santa Marta,
de piça na cona nunca estou farta.
São José de Arimateia,
por piça e mais piça minha cona anseia.
Santa Margarida de Antioquia,
fornicar a toda a hora é que eu queria.
Santo Inácio de Loyola,
quero uma trancada à espanhola.
Santa Luzia de Siracusa,
ai que tusa, ai que tusa!
São Gregório Palamas,
quero que se venham nas minhas mamas.
Santa Bernadette Soubirous,
quero um caralho espetado no cu.
São Josemaría Escrivá,
para ser enrabada é que eu estou cá.
Santa Teresa,
quero um mancebo de piça bem tesa
que me foda em cima da mesa.
São Facundo,
quero a piça enterrada até ao fundo...
Santa Rosa de Lima,
... e que antes de eu me vir ele não me saia de cima!
Santo Erasmo,
só mais um orgasmo, só mais um orgasmo!
Santa Inês,
estou-me a vir outra vez.
Santo António de Lisboa,
ai que foda tão boa!

São Fornício, São Fornício,
nunca me livreis do vício.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Urgência

Engana-se quem cuida que Méssaline, pássara migradora que é, não se apaixona. Méssaline apaixona-se, sim — porque Méssaline sente tudo intensamente, do fundo da cona ao mais profundo do cérebro.

Que urgência em escrever-te, meu amor! Que vontade de transformar estas breves palavras em mil bocas, em outras tantas línguas e braços para celebrar o teu corpo!

Em cada minuto que a vida me concede de repouso dos meus afazeres, a tua ausência impõe-se, paradoxalmente, numa presença contínua, que não sei se da espécie dos anjos ou dos demónios: vem, ora de leve como quem pousa, ora violenta e rápida como uma espada, instala-se-me no peito, consome-me a alegria numa saudade que se me infiltra no sangue e toda eu raivo por ti, numa explosão de desejo em que sinto o alvoroço de mil cavalos desabridos. Torno-me uma ponte entre a memória dos momentos passados nos teus braços e a ânsia por aqueles em que me hás-de sossegar raivas, anseios e explosões com o teu olhar, com os teus braços e com a tua pele toda, sob um tumulto de sílabas, suspiros, palavras rolantes, palavras gemidas e palavras que rebentam em gritos onde pulsa transparente o coração do nosso desejo.

domingo, 20 de outubro de 2013

Serviço Educativo (1):
Foder [n]a floresta

Um segmento do texto anterior de Méssaline, se mal interpretado, poderá dar uma ideia errada do comportamento cívico da autora deste blog, contribuindo, contra a sua vontade, para a deseducação dos leitores.
Méssaline não quer, sobremaneira, tal coisa. Méssaline aprecia amantes delicados, levemente brutos, galantes, dominadores, submissos... — mas sempre civilizados! As piças podem ser bárbaras (oh, sim... sim!), mas o trato deve ser romano — estejam em Roma ou não.
Por isso se inaugura aqui este «Serviço Educativo», a bem do progresso civilizacional luso.

O segmento potencialmente equívoco era o da apologia das fodas na floresta, em especial a frase (tão sonante quanto verdadeira): «Belas fodas tenho dado por essas matas nacionais!»
Méssaline acha por bem esclarecer que fode na floresta, não fode a floresta.

Se há coisa que lhe desagrada (e que constitui para ela um verdadeiro turn off), é chegar a um recanto de bosque que a sua perspicácia detectou como perfeito para umas trancadas valentes e descobrir no local as “provas materiais” de que muito mais gente teve antes a mesma ideia. Não há condições!

[Méssaline abre aqui um parênteses:
O turn off não é o facto de o “fodódromo” já não ser, por assim dizer, virgem: Méssaline não tem o fetiche da virgindade. A única virgindade que Méssaline alguma vez teve ânsia de acabar foi com a sua: desejou-o obsessivamente assim que descobriu que entre as pernas tinha uma espécie de “contador de fodas” com que a Sociedade patriarcal a controlava — mas um contador (tant pis para a Sociedade) que só contava até um. Ainda não lhe tinham começado, de facto, a subir os calores desde a cona até ao cérebro, e já Méssaline estava possuída pela determinação de “dar a volta ao contador” e desbaratar com o controlo patriarcal.
A razão do turn off florestal atrás referido é, repete-se e sublinha-se, não a elevada frequência da arena fodística, mas a existência de provas materiais desse facto.]

É que quase não há, pelas matas nacionais, clareira, reentrância, trilho, picada ou caminho florestal adequado à penetração de um carro até pontos mais inconspícuos que não esteja atapetado de preservativos usados e respectivos invólucros e caixas, toalhetes de papel e embalagens vazias de lubrificante anal ou sucedâneos!

Meus senhores, minhas senhoras: fodam, Fodam, FODAM! Mas não atirem o vosso lixo pela janela fora!
FODAM NA FLORESTA, NÃO FODAM A FLORESTA!
Obrigada.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Correio messalínico (1):
No palheiro (ou talvez não)

Em reacção ao post «No palheiro», Nuno Amado disse:

«Nah... nem no palheiro, nem no areal da praia.
Nesses dois sítios só mesmo na minha cabeça, porque na real não achei nada confortável...
:P»


Méssaline responde:

Mentiria se não admitisse que a cama é o meu lugar de eleição, pelo conforto, pelas possibilidades (espelho estrategicamente colocado, etc.), pelo calor, enfim, porque é na cama que as coisas mais importantes da vida acontecem...

... mas os palheiros têm potencialidades comprovadas, acredite. (A história da Humanidade foi em grande medida feita com fodas em palheiros...)
Repare que o termo português é enganador: neste «palheiro» não havia palha (que é rija e desagradável), mas feno, que é fofo e com um odor muito especial.

As praias, admito-o, têm o contra de serem mais arriscadas, mais expostas. Mas se com o seu comentário se queria referir ao meu «Fim de tarde na praia», faço-lhe notar que no areal não houve foda, apenas uns quase castos preliminares que deram foda na cama do apartamento em frente à praia...

Mas há muitas mais possibilidades — deliciosas possibilidades! — extra-leito.

Na floresta, então, hum!... Num dia quente de verão, com a terra seca a cheirar intensamente, no meio de muito verde e, de preferência, perto de um riacho tranquilo... Divinal!
A floresta, de resto, é um mundo de possibilidades. Na primavera ou no início do verão, os fetos ainda tenros fazem um quase perfeito ninho de amor. Belas fodas tenho dado por essas matas nacionais! E no outono, um tapete de folhas vermelhas e douradas constitui, não só um aceitável substituto do colchão, como cenário para uma belíssima sessão fotográfica pós-coito. (A minha pele fica particularmente bem quando emoldurada por tons outonais.)

E que dizer do entesoante ambiente dos cerejais, das figueiras com seus frutos carnosos e sugestivamente vaginais, das vindimas, debaixo de uma alfarrobeira ou de outra árvore de copa descida a fazer de saia?
(Não sei claramente porquê, mas todo o ritual de colheita é propício à foda. As segadas eram-no certamente, com o calor do estio e todos aqueles traseiros no ar... infelizmente já não se fazem. Uma perda para o Património Fodilhístico da Humanidade!)

E não esquecer as casas arruinadas no meio do nada. (Não me canso de lhes apregoar os méritos; esteja atento ao blog e verá — ou, por outras palavras, cuming soon...)
E as grutas, pela privacidade e pelas possibilidades do tão apreciado encostanço à parede. (Neste caso, confesso, verbalizo planos, não relato experiências: ainda não tive a oportunidade de berrar enquanto me dão uma trancada paleolítica.)

Obviamente, cada um é para o que é, se bem que os gostos também se eduquem.

Mais bien sûr, uma cama é uma cama. Para fodas mais prolongadas, é onde tem de ser. Na natureza e outros ambientes exteriores, tendencialmente em SOS (vulgo, rapidinha): a intensidade e a urgência tornam-na um alívio magnífico. Horas depois ainda flutuo...

(Hmm... tenho de reaproveitar algum deste material para o meu “Dickcionário”...)

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

No palheiro

Antes de saíres do meu quarto, disseste-me:

— Amanhã, onde fodemos?

— Vai pensando.

— Pensa tu, que tens mais imaginação.

Acordei cedo e fui ao palheiro. Aquela mistura do cheiro do feno fresco ainda com sol dentro e a humidade da chuva adocicavam ainda mais o aroma reinante. Experimentei a consistência de um fardo, preferi a do monte avulso. Rebolei e mandei um sms: «No palheiro». Pensava nas fodas em palheiros — nas de Baltasar e Blimunda, nas dos filmes, nas dos camponeses em cio —, quando ouvi o teu jipe. Correste para o interior e chamaste-me. Não me vias, porque não resisti à brincadeirinha de me esconder. Continuavas a chamar e eu a ficar com a cona molhada por ver as tuas calças cheias.

Saí do esconderijo, cheia de fios de feno amolecidos pela leve humidade, atirei-me para trás, deitando-me e levantando a saia rodada com estampado French country, sem cuecas, naturalmente. Disseste:

— Assim, pareces uma flor gigante. Vou sugar-te o néctar.

Mergulhaste a cabeça no meio das minhas pernas e lambias-me com fúria, enquanto eu te inspirava:

— Gostas de lamber a cona da tua pastora? Morde-lhe os lábios de leve. Agarra-a com força, que ela está habituada a gestos bruscos.

Viraste-me de costas de repente e disseste:

— Ai gostas de gestos bruscos? Então toma lá o nabo bem duro todo no cu.

E espetaste-o de uma só vez, até ao fundo. Doeu um pouco, mas vim-me logo.

— Gostas de feno, como as vacas? E de leitinho morno, também? Já to dou.

E esporraste-te todo à entrada do cu, como gosto, para sentir os esguichos do leite a encherem o Vale Paraíso.

Deitámo-nos de barriga para o ar, adormecemos. Ao acordar, repetimos, mas com intróito na cona e desfecho nas mamas, com espalhamento pelo feno contíguo. Ficou tudo mais molhado e com um cheiro… hum

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Lugares conocidos e seus profundos sentidos conotativos (2)
— Contributos semênticos para um dickcionário messalínico —

Há expressões comuns — lugares conocidos — que remetem para sentidos conotativos próprios do léxico messalínico. Dada a apreciar a anatomia das palavras por dentro e por fora, esta voyeuse da língua observa como se vestem para as pôr ao léu e/ou cobri-las com rendas e véus propícios aos jogos de leito. Imbuída do mui nobre espírito de serviço púb(l)ico devido à nação fornicosa, esta secção (devia escrever-se «sexão»...) parte desse exercício para desvelar os tais profundos sentidos, muito caros a Méssaline.

Dar no duro
Bem, esta é condição fundamental. Sem o instrumento bem duro, Méssaline aborrece-se. Não adianta disfarçarem, tentarem dar molemente. É simplesmente risível e maçador. Ela gosta, evidentemente, de dar o que lhe apetece dar — mas no rijo, no teso, no duro, senhores!

Encher o papo
De língua, de dedos, de piça, de esporra, e muitas vezes seguidas, para não fugir ao sentido habitual da expressão. Para ficar de papo cheio, consolada.

Encostar à parede
Méssaline aprecia mesmo esta atitude. Gosta de ser encostada a uma parede, de frente, com uma perna levantada ou as duas, se houver apoio, tomada no colo do “encostador”, ou por trás, com as mãos como quem trepa pelas paredes. É muito aconselhável para rapidinhas, sobretudo de emergência, num beco estreito, mas melhor mesmo é numa ruína no campo, para poder gemer, gritar, dizer obscenidades sem alarmar vizinhos nem polícia.

Foda madrinha
Méssaline não se esquece que uma vez um aprendente, tendo-a como mestra noutras artes, lhe disse, gratamente, na candura dos seus belos 22 aninhos: «A senhora é a minha fada madrinha». Méssaline olhou para ele com olhos penetrantes durante uns instantes e pensou: «Eu era mas é a tua foda madrinha». Se bem o pensou, depressa o fez. Uns dias depois já tinha aquele soberbo moço na horizontal, prontinho para ser ensinado nas artes forniciosas. E não é que ele voltou a chamá-la a sua «fada madrinha»? Foi preciso corrigir-lhe a primeira vogal. Ele arregalou os olhos, concordou e continuou os seus duros exercícios de aplicado pupilo.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Boca que folgas na rua

Boca que folgas na rua
Como se fosse na cama,
Chupas a piça que é tua
Na ditosa hora da mama.

Boa seiva de paus carnais
Que brota em jorros ardentes,
Quando é depressa demais,
É muito pouco o que sentes.

És feliz, sabes que sim,
Todo o leite que há é teu.
Sabe-te bem mesmo assim;
Sei-o, porque tu és eu.

domingo, 29 de setembro de 2013

Viagem à volta dos meus quartos

Méssaline precisava de dar uns pequenos retoques numa das suas casas. Foi sozinha? Obviamente que não. Por um lado, bem sabemos como os homens têm jeito para furar paredes, apertar parafusos, arrastar móveis; por outro lado, uma casa sem gente pode ser uma bela oportunidade para umas horas bem passadas. Que o digam as personagens do inspirador O Último Tango em Paris. Além disso, é preciso experimentar os materiais, ver se os móveis resistem a cambalhotas.

E ontem era dia de revisão do apartamento.

Entraram e a casa limpa enchia-se de quenturas estivais que acentuavam o exotismo da decoração. Começaram pela sala, com atmosfera vintage a puxar ao colonial. Ela abriu o baldaquino sobre o sofá império e naquele aconchego achou irresistível pôr-se de gatas e levantar a saia do tailleur fifties, oferecendo assim todas as possibilidades traseiras. Ele despiu-se num ápice e enfiou-lha bem no fundo. Menos de um minuto depois, já a cona se lhe retorcia em espasmos. Ocorreu-lhe que ele lhe devia um orgasmo, pelo menos um, em cada compartimento.

E passaram ao quarto em romântico inglês, com a cama de dossel. Ela deitou-se de pernas e braços abertos e chamou-o. Ele começou por um belo cunnilingus, facilitado por uma almofada de penas que ela colocara debaixo das nádegas. E ia orientando: «mais fundo», «agora menos», «morde os lábios, de lado», «enche-a de saliva». Ele quase sufocava no afã dos volteios e, para recuperar fôlego, ergueu a cabeça e agarrou-lhe a cona com uma mão só, puxando-a um pouco mais do que pareceria possível, mas que na verdade, não só não causa qualquer dor, como garante um prazeiroso orgasmo.

— Vamos para o quarto azul — disse ela.

A decoração mais juvenil apela à energia. Foi então que ela o deitou e lhe brochou o caralho até ficar retesíssimo. Abriu as pernas sobre ele, expondo-lhe as costas, pois sabe-o apreciador desta posição em que ele lhe pode apreciar as curvas e os meneios de anca, para além de ficar com uma perspectiva filmográfica sobre o entra-e-sai da piça no meio das nádegas abertas. Cavalgou-o como uma amazona, mas como gosta de se ver nestas aventuras, puxou o espelho, colocou-o em ângulo de modo a os dois poderem desfrutar: ele, da imagem real e da reflectida; ela, desta última. E como a entusiasma: a piça a parecer mais volumosa, a tusa de um pau espetado numa pêra. Sempre dialogante como ela gosta, que palavras são bom lubrificante da mente encandescida, mesmo que meras verbalizações do que se faz, quanto mais se de incitamento à cavalgada que lhe enche a cona de uma onda de espasmos. Só que estes jeitos de Valquíria atesoam-no demais e ele pede, de repente, para parar e passarem à la grande finale, no quarto vermelho, pois claro. A cama é de outros tempos e isso excita Méssaline porque gosta de imaginar os gozos que nela já foram gemidos. Pede-lhe que se deite, com os olhos vendados. Ela tira as cortinas leves e envolve-se nelas, segurando-as com uma rosa vermelha, no meio das mamas. Abre a túnica improvisada e deita-se sobre ele, apoiando-se-lhe no malho. Mama-lho com perícia, fazendo escorrer muita saliva pelo tronco rijo. Lambe-lhe os colhões, rodeando-os com a língua bem molhada. Ele está extasiado pelas sensações que o surpreendem porque não vê o que lhe vai acontecer. Então, ela exige-lhe o seu número preferido: que a monte por detrás, uma mão na anca, outra no meio das nádegas, com o polegar sobre a rosa, a massajar-lhe levemente a entrada do cu. Ela pede-lho fundo e forte e que não pare até ela se vir longamente. Depois, vira-se de frente para ele, fecha a túnica sobre as pernas e expõe-lhe o papo da cona, coberto das pétalas que arrancou à rosa.

— Vem-te aqui sobre a orquídea da minha cona, a relva dos pêlos e a rosa.

O quarto é uma festa de cores em que ela repara enquanto ele bate o pau para se vir: o vermelho carmim das paredes mergulha nas pétalas e sobe à cabeça da piça; a pele dourada contrasta com o branco do tecto que se derrama pela túnica que começa a ser irrigada com generosa dose de esporra.

Ó que colorido o jardim das delícias a que Méssaline chega no fim da viagem à volta dos seus quartos!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Vim, Dimas

Méssaline gosta de uvas, não podia deixar de gostar por serem fruto frequente nos banquetes romanos, sobretudo nos que eram seguidos de deboche.

É tempo delas e há que aproveitar as suculentas e doces. Uns preferem as mais duras, outros as mais bagudas, outros, as mais exquises. É o caso de Méssaline que prefere as moscatel. E como gosta mesmo de as comer?

Num piquenique de início de Outono, no meio da folhagem tinta de ruivos, amarelos e roxos, com a terra ainda fragrante de aromas estivais.

Assim esteve no domingo.

Sugeri a tarde no campo e levámos uma manta, almofadas, uma giga de uvas pretas e livros. A certa altura, tu disseste:

— Com este calor, apetece mas é foder.

Concordei, puxei a cesta e comecei a debicar bagos. Apanhava-os na ponta dos dedos, rolava-os e metia-os na boca. Eram bem boas, então arranquei um pequeno cacho que enfiei completamente na boca. Depois, passei a um cacho inteiro e comecei a comer às dentadas gulosas, com a boca cheia de bagos negros e de muito sumo.

Aquele jogo excitou-te e meteste-me um bago pela saia acima até à cona. Molhaste-a e eu perguntei-te:

— Queres um pouco de moscatel? Abre a boca.

Passei bago a bago para a tua boca. Trincávamos aquela consistência cárnea e lambíamos o sumo que escorria da boca de ambos.

Rebolaste-me vários bagos nas mamas e a cona palpitava-me pelo teu bago já bem maduro. Pedi-to com muita urgência porque sabia que mal entrasses dentro de mim, ouvirias aquele «HAAAAAAAA!» que me sai das entranhas quando me venho, que ficaria quieta para sentir as ondas que ao saírem do epicentro me amolecem o resto dos músculos de uma gostosa blandícia.

E assim foi. Só que eu virei-me de costas e pedi-te:

— Enche-me o cu com esse teu cacho e fode-me. Quero sentir-te os bagos contra as nádegas.

Ficaste em brasa e eu recebi o suco do teu racimo como gosto: a primeira golfada nas entranhas, depois contra as bordas, por onde escorria, leitosamente.

Disse-te que a vindima não acabava ali. Pediste tréguas por uns momentos. Deixei-te esta frase para te inspirar uma nova transpiração:

— Vou-te escolher os bagos mais pequenos para te brochar com a boca cheia deles.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Poema em linha recta

Nunca conheci quem tivesse dado uma má foda.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões na cama.

E eu, tantas vezes mal entendida, tantas vezes insatisfeita, tantas vezes frustrada,
Eu tantas vezes escandalizada pelas incompetências amatórias,
Indesculpavelmente insaciada,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para continuar um coito desajeitado,
Eu, que tantas vezes me tenho sentido ridícula com sexo tão indigente,
Que tenho visto enrolar desculpas pudicamente nos lençóis do pós-cópula,
Que tenho recusado sexo arrogante, suportado jeitos medíocres e ignorantes,
Que tenho sofrido desaires que só posso calar,
Que quando não tenho calado, tenho aumentado o desaire mais ainda;
Eu, que tenho sido assídua no desastre da ejaculação precoce,
Eu, que tenho sentido o embaraço nos olhos dos amantes,
Eu, que tenho feito passar vergonhas a autoproclamados recordistas do pinanço,
Pedido para nunca mais me procurarem,
Eu, que, quando a hora da foda suspeita surgiu, me tenho escusado
Para fora da possibilidade da foda;
Eu, que tenho sofrido a angústia das indisfarçáveis disfunções erécteis,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Todo o homem que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um orgasmo abortado, nunca sofreu enxovalho na cama,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — da Fodolândia…

Quem me dera ouvir de algum a voz humana
Que confessasse não uma facada no matrimónio, mas uma nega;
Que contasse, não uma gabarolice, mas um fiasco!
Não, são todos Casanovas, se os oiço e me falam.
Quem há neste mundo bazófio que me confesse que uma vez fodeu mal?
Ó príncipes, meus aspirantes,

Arre, estou farta de machos centrados no seu orgasmo!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é exigente e azarada nesta matéria?

Poderão as mulheres não se terem vindo uma só vez,
Podem ter traído — mas má-foda nunca!
E eu, que tenho sido mal fodida mesmo sem ser traída,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que fui tantas vezes decepcionada, literalmente decepcionada,
Decepcionada no sentido erótico e pornográfico da decepção.

domingo, 22 de setembro de 2013

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Oh, le temps des cerises

Bem sei que já não é tempo de cerejas. Mas o calor lembra-me o dessa tarde de Junho, o melhor mês do ano, por trazer com ele as promessas do Verão e pelas tardes longas.

Convidaste-me para apanhar cerejas, essa dádiva aos sentidos: gama de vermelhos rosados até aos sanguíneos, luzidia, polpuda, doce e de dentada carnosa.

Levava um vestido boticelliano para que a mais leve brisa mo levantasse e para festejar a Primavera. Começámos pelas de baixo. Tu provavas e interjectivavas com entusiasmo: «Hum, que boas! Toma esta, que é doce e rija» e metias-ma na boca, olhos nos olhos. Eu contornei a cerejeira e apareci-te com os folclóricos brincos e disse-te: «Toma». Agarraste uma com a língua e prosseguiste pescoço abaixo até ao decote, onde despontavam duas, muito rubras. Comeste-as e mordiscaste-me os mamilos. De repente, gritei quando confundiste a textura da pele com a do fruto e mos trincaste. Recompus-me e voltei-me de costas. Pedi-te: «Queres comer estas?». Meteste a mão debaixo da saia até à cona, livre de cuecas. Meteste os dedos e tiraste a cereja encarnada e… molhada. Comeste-a e disseste que querias mais assim.

Subi para o primeiro gancho da árvore, colhi mais, enfiei-tas na boca, com os dedos, com os lábios. Mordíamo-las conjuntamente, devagar, delicadamente, jogo que só interrompíamos para nos livrarmos dos caroços, o que fazíamos ora com delicadeza, ora como lançadores de chamas, sempre com alegria.

Fui buscar a manta e as almofadas, enquanto colheste um bom punhado delas. Deitei-me, abri as pernas e perguntei-te se querias fazer um cherry cunnus. Pegavas no pedúnculo, rolavas a cabeça do fruto pelo folhado da cona, lambia-la e davas-ma na minha boca. Depois, pedi-te que as comesses dentro da galeria. Mostravas-te mestre. Esmagava-las com os dentes e irrigavas-me a taça com o suco vermelho. E depois sorvias o teu cocktail, fazendo-me orgasmar de-li-ci-o-sa-men-te.

Pedi-te que te deitasses e despi-te. A brisa abençoou-nos com uma lufada de seda. Peguei num par de cerejas e fi-lo rolar pelo dorso erecto da tua piça. Devagar, para apreciar as suas reacções subtis: pequenos movimentos, palpitações. Aquela textura macia e dureza semelhantes animavam-me. Meti uma mais pequena e bem sólida na boca e abocanhei-te o pau. Reagiste ao contacto da cereja mais fresca com a tua tora quente. Foi então que ta engoli até à úvula, trabalhando com a língua no fruto, movimentando-o aleatoriamente entre a minha boca e o teu falo inchante. Incitavas-me: «Continua, não pares». Interrompi para mudar o fruto já macerado e, com a boca, esfreguei-to sem parar, apenas alternando rodeios e meneios, com a língua e a rolante ajuda desta espécie de órgão sexual complementar. Disseste mais vezes: «Ah, não pares, continua».

Foi um sobe-e-desce de boca da glande até à raiz da piça, com mudanças de ritmo e de coreografia até te subir a seiva em jorro. Retirei os lábios para gozar o espectáculo do géiser. Depois, passei os dedos pelo líquido morno jacente sobre o teu ventre, meti-os na boca e comi a cereja, deleitosa, assim envolta em zabayon cream.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Eros meu, mente louca, foda ardente

Eros meu, mente louca, foda ardente
Em meu deleite os três se conjugaram;
O Eros e a loucura sobejaram,
Mas a mim faltava a foda claramente.

Muito fodi; mas tenho tão presente
O gran’ prazer das fodas já passadas,
Fodas tão boas como variadas,
Que quero só foder perdidamente.

Abri todo o percurso até meu ânus
E dei cona p’ra que piças inundassem
Com suas abundantes esporranças:

De amor não vi senão breves enganos.
Mas, oh! tanto dava, des’que aquietassem
A minha infinda fome de folganças.

sábado, 14 de setembro de 2013

Fim de tarde na praia

É o fim da tarde, há poucas pessoas na praia. Chego, é a minha hora preferida: pela temperatura da água, a calma do mar, a ausência de vento, o quase silêncio de tão pouca gente. A uns metros de mim, uma silhueta deitada, imóvel. Um jovem moreno de olhos cravados no meu corpo. Olhos de morrer: grandes, profundos, escuros, perseguidores. Atiro-me à água com sofreguidão. Uma mão de seda fresca desliza-me pela pele. Não consigo evitar a atracção daqueles olhos. Lá estão eles, esfíngicos. Dou umas braçadas, olho em frente. Os últimos resistentes desertam o areal em pequenos grupos. Fixo o paredão defronte para evitar o olhar que sinto espetado nas costas. Volto-me, lá está ele. O corpo na mesma posição, o enchumaço já indisfarçável. Nado, provo a água salgada e antegozo o sabor daquele volume de carne visivelmente crescente. Esfrego os lábios um contra o outro, resvalo por eles a língua, saboreio a sensação e continuo a nadar. Volto-me de frente para o meu observador que permanece imóvel e me fita. Dirijo-me à praia, passo pelas ondas que se expandem em largos lençóis de espuma. Mergulho o corpo nela para desfrutar o frémito borbulhante. O sol passa tudo por uma demão de ouro: aquele corpo moreno, a superfície da água, a minha pele. Não me apetece abandonar o jogo e detenho-me com a rebentação espumosa. Correm-me gotas douradas pelo corpo e isso causa-me vertigens a que me entrego inteira. O meu observador levanta-se e dirige-se a mim. O coração sobe-me à boca.

— Está boa, a água?

— Muito agradável.

— A esta hora é sempre melhor.

— Eu também acho, por isso venho sempre no fim do dia.

Para nos ouvirmos melhor, aproximámo-nos. Os seus olhos queimam-me por dentro, a voz de veludo e a visão dos músculos definidos afiam-me a vertigem. Olho-o como quem quer saber exactamente o que se está a passar. Ficamos assim escassos instantes que se dilatam demasiado. Digo:

— Quer vir nadar? Não gosto de nadar sozinha.

Nadamos bastante lado a lado, saímos da água. Procuro a toalha para me deitar, ele traz a sua para junto da minha. Os seus olhos procuram sempre os meus, as mãos tocam-se sem ser por acaso. Paro e fito-o, desta vez, demoradamente. Deslizo as costas da mão pela sua pele. Que fresca e macia! Desço a mão até ao sexo. Que duro e quente! Ele assalta-me com um forte abraço e rebolamos na areia deserta. Os cabelos desgrenhados, os olhos presos uns nos outros, as bocas coladas.

— Para onde vamos?

— Para minha casa.

— Estás cá sozinha?

— Não, mas saíram todos. Espero-te naquele edifício, no 4.º F.

— Não tomes banho.

Corro da praia. Quem me visse, julgaria que fujo de uma ofensa sua. Mas tenho é um tropel no peito e no sexo. Galgo as ruas, entro em casa, arranjo a cama desfeita, troco o fato de banho e a saída de praia por um negligé, preparo chá quente e gelo. Tocam, abro a porta, caio naqueles braços vigorosos que me levam ao colo para o quarto aberto e me atiram para cima do leito. Bocas, línguas, mãos, saliva, ofegâncias, gemidos, e já entra em mim um pau rijo. Fodemos com fome feroz. Descreve tudo o que faz e vai perguntando:

— Gostas que te foda assim? Queres mais? Tens falta de piça ou és insaciável? Há quanto tempo não fodes?

Louca de prazer, ordeno-lhe que se deite, abro uma gaveta donde retiro uma venda, ponho-lha, mordisco-o nas orelhas, no pescoço, nos lábios. Excita-me o seu corpo que geme e treme ao comando das minhas carícias. Fica mais belo assim nu, vendado, exposto, disponível, com a dureza da piça a bradar por mais. A exposição de tanta beleza e daquele falo ardente à minha mercê desperta-me instintos obscuros onde se misturam confusamente carinho, dominação, fascínio. Expludo em avisos com a urgência de um desesperado:

— Vou chupar-te essa piça até me adormecer a língua. Vou montar-te até te esgaçar esse caralho divino. Vou foder-te até te rebentar os colhões.

Ele agita-se, perdido de tusa, oferece o corpo todo à selvajaria do meu desejo. Pergunto-lhe se tem sede. Sorvo um gole de chá quente e salpico-lhe o corpo. Contorce-se a cada gota porque não sabe onde vai cair a seguinte. Pergunto-lhe se está muito quente. Abocanho um cubo de gelo que lhe meto pela boca abaixo. Geme de gozo e de surpresa. Quer que continue, recuso-me. É essa a maneira de o castigar. Não estou ali para satisfazer os seus desejos, mas os MEUS. Ele está ao meu serviço, é meu escravo. Digo-lhe tudo isto e que se não quiser continuar que se vá embora. Ele não tem dúvidas de que quer avançar, a curiosidade açula-lhe o falo granítico. Dou-lhe mais chá, desta vez borrifando-o no corpo. Grita ao sentir aquela chuva quente, dou-lhe mais, mas em esguichos. Quero saber se está demasiado quente, faço escorregar um cubo de gelo pelo seu corpo arquejante. Pergunto-lhe:

— Estás a gostar? Diz-me se já alguma puta te fodeu assim. Estás quase a vir-te? Ah, não podes, ainda, porque eu não quero. Ainda hás-de dar muito prazer a esta cona antes de desafogares os colhões. Aqui não se fode assim. Montares-me e vires-te. Aqui, vens-te quando eu quiser.

Ele vibra, freme de gozo de tal maneira, que só lhe sai uma palavra que repete ritmicamente:

— Ah, puta, puta, puta…

Acaricio-lhe o períneo, o seu par de testículos, belo como os de um antigo atleta olímpico, aperto-lhe as sublimes nádegas. Retiro-lhe a venda e peço que me foda pela frente, com toda a força que tiver, até se vir na minha cara e boca. Alça-me em nuvens de prazer, em espasmos que me saem da cona, me correm pelo corpo, me desaguam nos braços, subitamente pesados de langor, de volúpia. Sinto-lhe um aumento de tensão insustentável na piça e percebo que é a detonação. Retira-a do meu corpo, ergue as pernas, curva-se sobre mim e explode aquela bomba de esporra na minha cara e na minha boca aberta para lhe acolher o néctar divino. Saboreio-o gulosamente, espalha-mo pela cara e mamas, lambo-o como quem degusta uma iguaria requintada. Abraça-me e pergunta-me:

— Como te chamas?

— Saberás se voltares a foder comigo. Até ao fim do mês, vou ao mar todos os fins-de-tarde.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Fornicografias

Traço, sozinha, no meu gabinete de engenheira, o plano.
Firmo-me, aqui isolada, na proposta de uma foda de arromba
Para apresentar ao chefe.

Ao lado, acompanhamento banal,
O taque-taque estalado do sofá contra a parede.
Que monotonia esta cópula alheia!
Que seca esta regularidade!
Que bom não foder assim!

Outrora, quando fui outra,
Eram só cavalgadas em castelos e cambalhotas com pajens.

Outrora, quando fui verdadeira ao meu sonho,
Eram grandes vikings do Norte, fodilhões até aos cornos,
Eram grandes machos do Sul, de opulentas vergas.

Outrora.

Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
O taque-taque estalado das tábuas no martelanço.

Temos todos duas vidas:
A verdadeira, que é a que sonhamos com sexo a sério,
E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de lençóis;
A falsa, que é a que vivemos em convivência com os beatos e os betos,
Que ou não fodem ou acasalam com a convicção de quem pica o ponto,
Aquela em que acabam por nos meter a pudicícia na cabeça.

Na outra não há pudicícias, nem polícias do fornício,
Há só ilustrações pornográficas,
Grandes livros coloridos, para ver às escondidas;
Grandes páginas a cores para recortar e fazer punhetas.
Na outra somos nós,
Na outra vimo-nos;
Nesta mirram-nos os pitos e as piças, que é o que viver assim quer dizer;
Neste momento, pela tusa, vivo na outra...

Mas ao lado, acompanhamento previsível,
Erguem os gemidos dos que se estão a vir banalmente,
Coro a que a minha cona se junta, mas viciosamente jubilosa,
Ao executar o plano de pinanço com o chefe,
Que já me agarrou pelas ancas e me empurrou contra a parede.
E começa o trás-trás do lado de cá.

Ah, agora como outrora.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A rapariga do sautoir

Subias o Chiado e olhavas para todas as passantes, cheio de vontade de desenferrujar o malho maltratado pela penúria da província. De súbito, debaixo de uma arcada, a subir uma escada, viste uma nuca que se inclinava muito para trás para ver melhor a rua. Reparaste nos olhos muito delineados, na boca-coração, no cabelo à la garçonne, num longo colar de pérolas brancas que aquela rapariga enrolava nos dedos, olhando para ti. Desapareceu pelas escadas, tu estacaste, disposto a esperar até ao outro dia para a reveres. As longas horas deram para que cravasses toda a imaginação numa foda com ela. Imaginavas alguns pormenores, mas mesmo em modo vago, o pau inchava-te sem remédio. Chegaste a pensar ir aliviá-lo numa casa de banho ou com alguma das putas que passavam e se te ofereciam.

Ouviste uns tacões e a piça sentiu um solavanco que quase se vinha. Sim, era ela. Fechara a porta à chave, descia as escadas e, rindo alto, vinha de braço dado com um felizardo qualquer. Olhaste-a, ela viu-te. Reparaste no colar de pérolas que desta vez estava solto e balançava muito acompanhando o passo dançante do corpo. E ela ria, ria muito e olhava-te.

No dia seguinte, lá estavas tu: coração e piça aos pulos. Bateste à porta. Ela veio a correr, apenas com um cache-cœur e com o colar. Ficou embaraçada. Disse-te que estava ocupada, que esperasses um pouco... se fazias muita questão. Claro que esperavas o que fosse preciso. Ouvia-la rir e isso excitava-te ainda mais. Precisavas de te distrair para aguentar a dor no nabo reteso.

A certa altura, silêncio e daí a pouco a voz dela, certa de que tinhas ficado à espera: «Podes entrar». Galgaste as escadas e deste contigo num quarto espaçoso, nitidamente preparado para a função. Espelhos, sofá lânguido, lençóis desfeitos. Ela estava nua, mas tinha o colar e chamou-te. Desapertou-te as calças e mamou-te supinamente. Enrolou o colar à volta do teu pau e engoliu-o assim, fazendo deslizar suavemente as fiadas de pérolas. Deitada de costas, enrolou o colar à volta das mamas e convidou-te a seres imaginativo. Foi mamilo entre as pérolas, pérolas a rolar sobre o peito, uma confusão que se ordenava logo que se pegava numa ponta do colar. A certa altura, ela meteu as pérolas todas na boca e começou a tirá-lo lentamente, enchendo-as de saliva. Perguntou-te se querias que as metesse na cona. Nem sabias o que querias. Querias era ver e evitar afogares aquelas pérolas todas com o teu desassossego leitoso. Ela meteu parcialmente o colar na sua gruta e ordenou-te: «Ó meu caçador de ostras, vem aqui colher as pérolas». Obedeceste e nem sabias já que pérolas sugavas. Ainda bem aberta, pediu-te que entrasses no meio do colar. Quando o fizeste, bem fundo, ela indicou o início do vaivém fazendo uma anilha de pérolas cruzada sobre o teu caralho incrédulo. Sentiste um ligeiro aperto que te chegou à raiz do escroto e ia tudo acabando ali. Ela percebeu e parou um momento. Virou-se de costas e estendeu o colar no vale entre nádegas. Pediu que o fizesses resvalar lentamente, completamente, de uma ponta à outra.

— Mais depressa, mais, agora, enfia-me essa verga rija no meio do colar até à cona e não pares até eu me vir.

A custo satisfizeste os desejos da tua Louise Brooks, e sentiste um aperto na piça, uma onda que lhe subiu da cona pelo ventre até ao rosto que se afogueou.

— Quero mais — pediu-te ainda ofegante e esbraseada. — Repete o número, mas no cu.

E levantou a garupa exibindo-te a geografia para que te orientasses. Montaste-a incitado pelos seus gemidos, gritos e perguntas retóricas: «Gostas de foder com pérolas, gostas?» «Agora dá-me o teu nácar nas mamas».

Ó pedido divino, mesmo na hora! Viraste-a, ergueste a membro e deste-lho em repuxo, intermitente: pérolas sobre pérolas.

Dois dias depois, voltaste para mais uma sessão. Mas ela estava ocupada. Havia mais caçadores de ostras. Marcou-te rendez-vous para dali a uma semana.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Sete anos a segóvias Jacob servia

Sete anos a segóvias Jacob servia
Labão, pai de Raquel, gaja mui bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
Que com ela fornicar só pretendia.

As noites, na ’sperança de uma queca,
Passava, contentando-se a batê-las;
Porém o pai, usando de cautelas,
Em lugar de Raquel lhe dava leca.

Vendo o teso pivieiro que co’ enganos
Lhe era negada a greta da sedutora,
Como se incapaz para a missão,

Recomeça a punheta outros sete anos,
Dizendo: — Mais tocara, se não fora
Pera tal tusa tão calosa a mão!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Prefiro o peito, meu amor, à boca


Meu cavaleiro,

Eis os motivos pelos quais esta vossa sócia de luxúria prefere que derrameis os vossos esporrágicos fluidos sobre o seu peito em vez de na boca.

No momento exacto do vosso jorro múltiplo, à vossa parceira agrada-lhe — sobremaneira lhe agrada, garanto-vos — fazer do seu colo a foz do vosso íntimo rio. É uma oportunidade de acumular os prazeres gustativos, tácteis e visuais potenciando o gozo extremo. É que a esta vossa amante apraz-lhe ser espectadora do assomar do vosso leitoso eflúvio, seguir-lhe as imprevisíveis trajectórias barrocas, depois da ansiedade da espera, esporeada pelos olhares e pelas palavras incitadoras — tão caras como porcas — próprias desses pináculos do êxtase. Além disso, deste modo diferido, a quantidade que, depois, por sua própria mão, espalha sobre as papilas gustativas, é suave, tornando o sabor delicadamente amargo em vez de acre, como acontece quando lançado golfosamente no íntimo da cavidade oral.

Quanto à preferência sobre a vossa emissão no interior da sua cona, a vossa amante esclarece: a sua preferência pectórica não exclui a vontade, e até o empenho, em uma vez ou outra receber o vosso prateado fluxo nas sua entranhas, sobretudo se ela estiver, ao mesmo tempo, com as palpitações que o vosso membro lhe provocam ao final de um certo período de investidas competentes. Se é certo que se perde o prazer visual, alcança-se o consolo primordial das coisas mornas e molhadas, numa zona exclusivamente acessível pela vossa nobre piça.

De momento, nada mais tem a acrescentar à explicação das suas preferências quanto ao vosso modus e locus ejaculandi. Contai, ginete eleito desta garupa, com a mais aplicada atenção às inclinações do vosso belo e saboroso malho.

Daquela que transitoriamente convosco fode e que pelo vosso leite anseia, agora e na hora da nossa cópula ardente. Assim seja.

Méssaline Salope

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra

Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra,
Ao crepúsculo como num sonho, na estrada pouco deserta,
Ele guia. Guia quase devagar
Porque não paramos de nos atiçar um ao outro:
Mete-me a mão pelas pernas acima, desvia a cueca e mete os dedos
Que saem escorrentes.
Eu palpo-lhe o pau duro, aperto-o até o sentir palpitar levemente.
Parece-me que vamos parar para uma rapidinha, mas a estrada segue
Sem saídas propícias para aliviar cios.
Forço-me para que me pareça que sigo por outra estrada,
Com menos carros, com outro carro,
Mais adaptado a entrar pela mata fora,
Antes que passe a tusa.
Assim, mais parece que nem me vim em Lisboa
Nem me vou vir em Sintra
Nem pelo caminho.

Vamos passar a noite a Sintra por não podermos passá-la em Lisboa,
Que lá está o outro de quem não me consigo livrar.
Mas, se assim continuarmos quando chegar a Sintra,
Terei pena de não ter ficado em Lisboa.
Pelo menos com o outro, a foda era certa e boa.
Sempre esta indecisão, sempre, sempre, sempre.

Maleável aos meus movimentos de mãos,
Estou mortinha que galgue sobre mim
E podia ser mesmo na berma da estrada.
Sorrio do cacete bem teso, ao pousar as mãos nele,
E ao abocanhá-lo em andamento.

Por fim, à beira da estrada, à esquerda, um casebre —
Uma boa oportunidade para uma memorável pranchada contra a parede,
Que tenho o gosto romântico das ruínas —
E a direita também promete com o campo aberto, com a lua ao longe.
Por mim, é aqui já. Paramos.
O automóvel é agora uma coisa onde estamos fechados e aos gritos.
Que só posso foder à vontade se ele estiver fechado,
Para ninguém se alarmar.

Grito porque me sabe bem e grito por mais.

À esquerda, lá para trás, o casebre modesto, mais que modesto.
A vida ali deve ser uma tal seca, ainda bem que não é a minha.
Se alguém me viu da janela do casebre, sonhará: Aquela é que é feliz.
Talvez o rapaz que olhou, ouvindo o motor, pela janela da cozinha
No pavimento térreo.
Sou qualquer coisa da puta de todo o coração de rapaz imberbe.
Ele me olhará de esguelha, pelos vidros, até à curva em que me perdi:
Deixarei sonhos e punhetas atrás de mim.

Na estrada de Sintra ao luar, ante os campos e a noite,
No Chevrolet onde mamo consoladamente,
Perco-me neste fodão, sumo-me no êxtase que alcanço,
E, num desejo terrível, súbito, violento, inconcebível,
Aceleramos o ritmo.
E o mangalho esparrama-se-me no monte-de-vénus.

À porta do casebre,
O rapaz a esgalhar uma.
E a minha cona ainda insatisfeita,
A minha cona desejosa daquela verga manceba.
Na estrada de Sintra, perto da meia-noite, ao luar.
Na estrada de Sintra, que cansaço as cambalhotas no carro dadas
E já a vontade de mais.
Na estrada de Sintra, já no pós-orgasmo.
Na estrada de Sintra, já mais perto de outro,
Do Álvaro, do Fernando, tanto faz.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

De tarde

Estava eu preparada para uma daquelas sessões que incluem a merenda completa e chegas tu e propões um piquenique no campo. Ora bem, lá tive de mudar de farpela, porque stilettos enterram-se, meias de vidro rasgam-se nos arbustos. Fui sem cuecas, aproveitando o conselho médico segundo o qual as pássaras se dão melhor ao ar livre. Troquei o bustier de vinil por um de rendas country. A princípio gostei da ideia (o calor, a brisa de fim de tarde, a possibilidade de umas cabriolices na água fresca de algum riacho, o cheiro doce da erva cortada recentemente, o olhar lúbrico dos pastores…). Mas quando cheguei deparei-me com um arraial de burguesas, todas não-me-toques, com os seus ares entre o boho e o hippy chic, meninas da Linha de Cascais ou da Foz, contra quem não tenho nada a não ser o modo como fodem a gramática, arredondando muito as boquinhas e às vezes até desviando as comissuras labiais, para puxar bem ao ar de tia que almejam ser. Talvez chegasse a haver alguma história interessante, alguma grandeza de gestos dignos duma aguarela, se lá houvesse pintor. Mas, neste capítulo do registo icónico, só vi máquinas digitais apontadas a borboletas e abelhas em pleno chupanço do doce néctar dos órgãos sexuais das flores.

Aquele não era o meu pouso e com um piscar de olhos pisgámo-nos com a desculpa de que íamos ver os arredores.

Chegámos a um granzoal azul de grão-de-bico e foi quando eu, descendo do automóvel, fui colher um ramalhete rubro de papoulas. Ao veres-me assim, de traseiro para o ar, não estiveste com imposturas tolas. Saíste do carro, abriste a braguilha, levantaste-me as saias e pumba, pau para dentro que já estava no ponto que me consola. Foi uma bela malhada, não no cereal ou na leguminosa, mas onde deve ser, entre pernas. Quanto às papoulas, lá ficaram a juncar o chão e a denunciar que não tínhamos respeitado o poema.

Pouco depois, em cima duns penhascos, nós acampámos, inda o Sol se via, e houve talhadas de melão e de melancia que comemos com dentadas bárbaras, deixando correr o sumo pela cara e pescoço que lambíamos esticando as línguas. Havia também damascos que eu te enfiava na boca para morder e alternar com pão-de-ló molhado em malvasia que já escorria pelos meus peitos chegadinhos como duas rolas. E como bom vinho não se desperdiça, lambíamo-lo, trocávamo-lo de boca e com o resto eu molhava-te a piça.

«Fazem falta as papoulas aqui no meio», disseste tu, com lubricosa lassidão. E eu, muito dada ao improviso copular e sem querer faltar mais às disposições da poesia, mamei-te a papoula até ficar purpúrea, metia-a no meio das rendas, esfregámos-lhe o talo e daí a pouco ela desabrochou em alva linfa, compondo um ramalhete colorido, supremo encanto da merenda, muito mais interessante que o outro, apenas rubro, ó senhor Cesário!

Bibliografia fodida (3): antologia anglo-sexónica

  • Geme Austen, Sensibilidade e bom sexo
  • Lewis Caralh, Alice no país das mil pilas
  • Charles Dicks, Grandes esporranças
  • Ernest E. Mingway, Por quem os falos dobram

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Messaliníada, III, 120

Estavas, Méssaline, como pedido,
Em teu ânus tomando doce coito
Desse mancebo teso e bem fornido
Que a fortuna te trouxe mais afoito.
Traseiro vicioso bem erguido,
Com teu cu engolias-lhe o biscoito,
Mas já lhe recordando, enquan’te vinhas,
A fome que no pito ainda tinhas.

sábado, 24 de agosto de 2013

Lugares conocidos e seus profundos sentidos conotativos (1)
— Contributos semênticos para um dickcionário messalínico —

Há expressões comuns — lugares conocidos — que remetem para sentidos conotativos próprios do léxico messalínico. Dada a apreciar a anatomia das palavras por dentro e por fora, esta voyeuse da língua observa como se vestem para as pôr ao léu e/ou cobri-las com rendas e véus propícios aos jogos de leito. Imbuída do mui nobre espírito de serviço púb(l)ico devido à nação fornicosa, esta secção (devia escrever-se «sexão»...) parte desse exercício para desvelar os tais profundos sentidos, muito caros a Méssaline.

(O parentesco com os dicionários determina que as entradas sigam a ordem alfabética.)

Apanhada em f(e)lagrante deleito, ou Apanhada com a boca na botija
Méssaline não gosta de ser apanhada a fazer estas coisas, que as requer privadíssimas. Apanhada assim, só se for pela sua própria imagem no espelho. Isso sim!

Abanar o cacete
Quando duro, da esquerda para a direita, com cuidado, que alguns parecem ter rigidez quebradiça, com a mão na base e perspectiva plongée ou com a boca semi-aberta, com as mãos na pontinha, a tamborilar nos lábios, por dentro.

A dar com um pau
Num sentido, lato, é um bom princípio, desde que o dito seja rijo, sábio, saboroso, dado à variação entre os apetites gourmet e os petiscos caseiros, esteja disposto a satisfazer caprichos, seja adaptável e atento às condições intra e extra-cunnus. Num sentido mais estr(e)ito, é o que Méssaline pede ao seu parceiro de cavalgada: que lhe dê com o pau férreo nas bordas da cona, para o que é desejável talento de percussionista.

Bater no fundo
É o «j’accuse» de Méssaline a todos os apressados no vaivém. O que falta às piças para se espetarem até ao fundo? Coragem? Convicção? Força? Tamanho? Ó fodilhões de entra-e-sai, batei no fundo, esperai uns segundos, explorai, batei leve, batei forte, mas saboreai e deixai saborear.

Chupar no dedo
Pode ser um bom prelúdio. No meio daquelas grandes lambuzices antes da inauguração do fornício com um novo parceiro, uma chupadela de dedo, bem ensalivada, com os lábios em volta do dito, fechadinhos e demorados, a irem até à base digital e depois a pousarem em botão sobre este, olhos nos olhos que apenas se fecham como representação (i)cónica e estimulação do desejo a crescer.
Mas pode ser também no meio do mais louco coito. Méssaline mete os dedos na cona escorrente, mete as pontas nos seus lábios (nos de cima) e puxa a boca do parceiro contra a sua com os dedos confusamente metidos em ambas as bocas, embebendo-se do que nesse contexto, com o sabor, o cheiro, a banda sonora de gemidos e suspiros, sabe a mel.
Mas ainda tem outra ocorrência. E é caso para aqui trazer o last but not least. Méssaline gosta que lhe dêem a esporra nas mamas, no ventre, no monte-de-vénus, porque gosta do espectáculo de fogo-de-artifício. Depois, gosta de molhar bem dois dedos nesse gloss para os lábios e sugá-los para lhes sentir o leve sabor acre e a consistência entre o béchamel e o coulis.

Dar à língua
Na glande, nas bolas, na língua, na boca, nos pulsos, no pescoço, atrás da orelha, na glande outra vez, em rodopios, em cânula, em cama, nas bolas, em valsa delicada. Ah, e dar a língua, estendida em colher para sorver jorros de esporra, humm... delícia.


Outras entradas no grelo — perdão! — no prelo, como amuse gueule: encher o papo, encostar à parede, engolir em seco, estar aí para as curvas...

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

No parque

Estávamos no Palace Hotel, num baile dos anos 50.

Eu estava numa mesa com muita gente, um pouco enfadada de tudo. Sentia-me admirada pelas mulheres e cobiçada pelos homens. Faziam-me mil e um favores por tudo e por nada. À minha volta, nada me prendia a atenção. Perdia o olhar pela balaustrada da mezzanine da sala e varria o olhar desprendido pela orquestra, não vendo ninguém em particular, apenas um conjunto informe de corpos, instrumentos e rostos. Até que os meus olhos se encontraram com os teus. Eras clarinetista, de cada vez que paravas de tocar, cravavas o teu olhar na figura que te chamara à atenção e que era eu. Comecei a corresponder às investidas dos teus olhos, promessa de salvação para uma noite monótona. E dos teus sorrisos. Sorrias e tocavas com ardor, nitidamente como quem dedica o seu talento instrumental a alguém. Chamaram-me para dançar, fui. Rodopiava de modo a reencontrar sempre os teus olhos. Sacudia a cabeça para trás, com a volúpia de quem oferece os lábios. O meu par dobrava o seu pescoço sobre o meu e tu vias-nos quase entrelaçados. Chegou o intervalo, eu soltei-me dos seus braços e das suas tentativas envolventes, com a desculpa de que precisava de ir à casa de banho. Ao sair, no pequeno hall, estavas à minha espera. Não sabias bem como me dirigir a palavra, eu adiantei-me, quase em surdina e de raspão atirei-te estas palavras: «No parque, depois de uma casa do lado esquerdo, sobe para uma ruína». Ficaste surpreendido e na tua cabeça só bailava a ideia: «Esta é das rápidas, ok, vamos ver se não é uma partidinha de mau gosto». Voltei à sala, certifiquei-me de que todos estavam entretidos, e anunciei que ia apanhar um pouco de ar fresco à volta do hotel. Ofereceram-se para me acompanhar, eu reafirmei a vontade de estar sozinha. Ao sentir-me fora do horizonte visual da entrada, comecei a correr em direcção ao local marcado e pensava «E se ele não está lá? Bom, logo se vê». Tu esperavas-me atrás de uma coluna, espreitando o caminho por onde eu devia chegar. Estavas algo nervoso, mas não conseguias evitar o endurecimento da piça. Pensavas no que eu quereria, parecia-te que eu queria uma bela foda de um músico, mas, e se não fosse isso? Começaste a ouvir passos, ocorreu-te que podiam ser de outra pessoa e eu, meio perdida no escuro, comecei a sentir-me oprimida pelo facto de nem saber como te chamar. Fizeste um ruído, talvez para que eu me orientasse. Foi o suficiente, corri, e quando dei conta, já estava nos teus braços. Tocávamo-nos com a urgência de quem tem muito pouco tempo para roubar uma jóia. Agarrávamo-nos como quem luta, beijávamo-nos com quem morde. Atiravas-te às minhas mamas com uma fúria de condenado, apanhavas-me as nádegas com determinação esmagadora. A minha cona escorria e só queria que me enfiasses o magnífico pau que te estoirava de duro. Levantaste-me pelos braços, sentaste-me sobre ti e empalaste-me. Ó maravilha das sensações! Ó céus! Vim-me de imediato. Gritei, insisti para que me fodesses mais, para que me fodesses até ao fim das forças da tua piça. Retirei-me e chupei-te até te sentir quase a explodir. Interrompi: «Não vim aqui para uma rapidinha; vim aqui para que me saciasses esta cona ávida de piça; fode-me mais, fode-me!». Voltei-me de costas oferecendo-te as nádegas e pedi-te que mas mordesses delicadamente. Acedeste e tiveste de parar, que a tua piça rebentava. Então, encaminhei-te para a cona, esfreguei-te a glande nela. Sentiste-a molhada. Disseste: «Hum, pensava que querias que te comesse o cu». Eu respondi-te: «Calma!». Cavalgaste-me com sabedoria e no limite das tuas forças. Eu incitava-te dizendo-te: «Monta-me, torna esta cavalgada nocturna numa lembrança que dure». O teu pau estourava e abrandavas o ritmo. De repente, a orquestra troou pelos ares e tu disseste: «Tenho de ir, já começaram sem mim» Eu contrariei-te: «Agora, não vais sem me dares a tua esporra que deve ser tão saborosa quanto o teu caralho. Abre a boca». Enfiei-te os meus dedos cheios do lubrificante da minha cona e disse-te: «Esfrega bem a piça na minha cona e fode-me o cu até te vires». Obedeceste e eu adorei sentir as golfadas do teu leite a espraiarem-se nas minhas entranhas. Retiraste-te e correste para a tua função. Eu fiquei a degustar as sensações que me ofereceste e a entregar-me à deliciosa sensação de me sentir toda fodida. Levantei-me, compus-me, dirigi-me de novo à casa de banho para retocar o penteado e a maquilhagem.

Ao longe, vi olhares inquietos que me procuravam. Apareci sorridente, olhei para o clarinetista. Vi-te sorrir. A orquestra tocava:

«Bésame, bésame mucho,
Como si fuera esta noche
La última vez.
Bésame, bésame mucho...»

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Tentações con(a)ventuais

Fidalguinho,

Você quer fumar o seu charuto de ovos na minha sericaia?
Atear seu foguete na barriga de freira e depois explodi-lo no meu papo de anjo bem molhadinho ou no meu toucinho do céu bem doce?
Que tal se roçar as trouxas entre as minhas sapatetas até ficarem em fios de ovos?
Se prepare para uma nabada de Sernide das gostosas no pito de Santa Luzia ou no pão-de-ló bem húmido. Ai, estou ficando encharcada, viu?
Vai ver que daremos suspiros que nem Madalenas e que você até se arrufa em manjar branco ou coalhada do convento, não é assim, meu Morgado?
Ah, vou lambuzá-lo de toda essa melícia! Vai ser de comer, chupar e chorar por mais.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Bibliografia fodida (2): Mario Vergas Llosa

  • Pentelhão e as Visitadoras
  • A Tia Júlia e o Esporrador
  • História de Meta
  • Quem Montou Palomino Molero?
  • O Felador
  • Lili Toma nos Andes
  • O Paraíso Noutra Vagina

domingo, 11 de agosto de 2013

Figos

Figos, pintura de Britta Loucas

Sozinha, pela Estrada Nacional 2, conduzo maquinalmente. Maquinalmente, porque tenho a cabeça cheia de sexo. Obsessiva, persistentemente. O lugar do sexo começa a ser preenchido com a imagem de um homem. Um qualquer, desde que tenha uma piça pronta para me foder. A imagem desce-me até ao meio das pernas e estaca lá. Espeta-se-me pela cona acima até ao útero, espalha-me ondas de prazer quase doloroso, faz-me subir uma baforada de calor por entre as mamas. Esta imagem de um macho começa a turvar-me a vista e preciso de parar. Escolho uma ligeira enseada à beira da estrada. Saio do carro para andar um pouco na esperança de expulsar o que levo no meio das pernas. O ar está tépido, é o fim da tarde. O sol já não atrapalha, só aquece a pele, lambendo-a com a sua língua de fogo brando. Há um talude vermelho e por cima dele implanta-se uma majestosa figueira cujos frutos e folhas perfumam o ar de um aroma espesso, doce sem ser enjoativo. Fecho os olhos e aspiro profundamente. A imagem do homem continua o seu trabalho abaixo do meu ventre, em que toco. Tem a consistência, a temperatura e a humidade do desejo. Subo o talude, não resisto a figos tão perfumados. Palpo-os. Estão maduros, entre o mole e o túmido. Arranco um e meto-o na boca. A imagem do homem mexe-se acima das minhas coxas. Saboreio o sabor delicado, inalo o intenso e quente perfume. Arranco outro e abro-lhe a boca vermelha, carnosa, escorregadia e pegajosa de tanto mel. Mordo-a com gula quase violenta, mas eis que os meus lábios suspendem este exercício. Foi um ruído de passos. Sem dúvida. O coração salta-me à boca. O que trazia dentro de mim desapareceu. As veias latejam-me como chicotes. Mais um sinal da presença de alguém. Já não tenho hipóteses de me esconder, só me resta fugir. Dou o primeiro salto e tu apareces-me. Paro. Deténs-te, inspeccionando-me de alto a baixo.

— Com que então a roubar figos?

Que vergonha me subiu à cara, me coseu a garganta e o corpo todo!

— Uma ladra de figos! hum… Que bela ladra!

E aproximavas-te. A piça a fazer-se tora. Eu não me mexi e permaneci muda.

Tiraste um figo, levaste-o à tua boca e fizeste-o rebolar nos lábios. Não o comeste. Disseste-me:

— Queres mais figos, não queres?

Roçaste-o pelo meu pescoço, deslizaste-o até ao rego das mamas e demoraste-o aí. Eu, quieta, a arfar. Meteste-me o figo na minha boca e levaste-o rapidamente à tua. Mordeste-o e engoliste-o. Crescia-te o enchumaço nas calças. Decidi investigá-lo. Que de aço! Voltou-me a sensação de peso no meio das pernas que pensara aliviar ali.

Hum, queres esse pau de figueira, queres, minha ladra de figos? Espera. Vamos brincar mais com os teus frutos queridos.

Colheste outro figo, meteste-mo na boca e ordenaste-me:

— Come, come-o todo.

Tiraste outro e quando eu pensava que mo ias dar a comer, rolaste-o sobre a minha pele até aos mamilos. Circundaste-os com o figo. E mordiscaste os mamilos e o figo alternadamente, perscrutando-me as reacções. Eu suspirava não de temor, mas já inteiramente de prazer. Já não queria parar aquele jogo. A opressão entre as pernas era já insuportável, empurrava-me o corpo para o teu. Arrancaste uma folha e deste-ma a cheirar e perguntaste-me se queria continuar. Eu respondi que sim, que sim, tu desabotoaste-me o vestido e afastaste-o para os lados do meu corpo. Com outro figo, acariciaste-me das mamas ao ventre, devagar, devagar, sempre perguntando se estava a apreciar. Desceste o figo até à minha cona, detiveste-te à entrada. Molhaste-o na cona encharcada, lambeste-o, deste-mo a lamber, sem me desvendar os olhos. Desfazias-te em interjeições, monossílabos, palavras soltas, frases curtas — fragmentos da tusa de que estavas visivelmente possuído, até que me perguntaste:

— Posso lamber o teu figo, comê-lo?

Abri bem as pernas e ordenei-te que me devorasses o figo que me inchava na cona. Disseste-me:

— Quero que me vejas a comer-te o figo maduro que tens aqui.

Já me tinhas enfiado os dedos, retiraste-os e baixaste-te. Lambeste-ma, com sabedoria, mordendo-a, titilando o clítoris, rodando a língua, introduzindo-a na minha gruta. Meteste nela um outro figo, esborrachaste-o, mesclaste-o com os lábios da cona, disseste-me que era saborosa, que a querias comer, que a ias foder até ela ficar rubra como a carne do figo esmagado, que te ia saber bem. Louca de prazer, implorei-te que me fodesses toda, agarrei-te o malho, encaminhei-ta para a cona, com ânsia. Quando entraste, vim-me imediatamente, o que te surpreendeu e disseste que querias ver-me a vir-me outra vez. Eu informei-te de que bastaria que me fodesses mais, com veemência, que me continuasses a excitar com aquelas palavras de tusa e me carregasses sobre o útero quando eu te pedisse. Fizemo-lo muitas vezes, até que o teu vaivém já não era tão sincopado, tinhas que parar para deter o leite que te subia até à ponta do teu pau incandescente. Eu senti a iminência da deflagração e perguntei-te se querias oferecer-me um colar de esporra. Tu ficaste tão excitado, que só tiveste tempo de tirar a piça e de ma apontares às mamas que me banhaste generosamente. Eu pedi-te para lamber as últimas gotas que provei com volúpia e gulodice e pedi-te para me ungires o colo com o teu saboroso leite. Obedeceste, maravilhado. Eu compus-me para me ir embora. Tornaste-me leve, sentia-me levantar voo em cada pequeno passo. Tu seguias os meus movimentos com o olhar, arrancaste mais um figo, deste-mo e perguntaste-me com gravidade:

— Se gostaste dos figos, porque não ficas mais tempo para comermos mais?

Sorri, abracei-te e prometi voltar… enquanto houvesse figos.