sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Lugares conocidos e seus profundos sentidos conotativos (5)
— Contributos semênticos para um dickcionário messalínico —

Após meses de ausência, Méssaline volta ao seu Dickcionário.

Água de colhónia
Méssaline considera sacramental o remate com tal unção. Escolhei a parte do sudário que vos apraz honrar com a essência do vosso orqui, digo, arquidivino eflúvio e vinde a (em) mim, ó filhos d’Af(r)odite, vossa bolsa plena de oferendas disposta.

Trufa-trufa
Não sei se foi o famosos truca-truca de Natália Correia que derivou para esta palavra, ou se já lhe era prévia. Deixo o esclarecimento aos filólogos cuja curiosidade neste ocioso momento não me apetece seguir.
O trufa-trufa de Méssaline é nada mais, nada menos do que foda com trufas... bombons ou outros trunfos da chocolândia, passados entre bocas, com uso de lábios, língua e pontas dos dedos, como amuse-gueule ou prato único, sempre cumprindo imperativos da Dona Delicadeza, aqui chamada e achada para que a coisa não derive num espalhafato de pinceladas de cacau pelo rosto, colo e demais partes. Delicadeza para lamber aqui, ali e acolá, onde ficou traço de passagem do celestial alimento, e também para jogar, em lances entre o leve pousar e o brando meter, o suave chupar e o vero lamber.
Com sex toys destes, sim, Méssaline brinca!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O tabu do número

PUTA (s. f.) uma mulher com a moral sexual de um homem.

Há tempos, a Marie Claire francesa abordou este tabu remanescente: o número de parceiros sexuais das mulheres. Houve quem respondesse ter tido um único e quem admitisse ter tido mais de cinquenta. E parava aqui. Não houve quem dissesse ter tido cem, quinhentos, mille e tre, como Don Juan.

Deixando de parte esta questão de uma piça passar por um número elevado de mulheres ser um feito e uma cona passar pelo mesmo número de homens permanecer um defeito, concentro-me no constrangimento que o tópico causa numa conversa.

Não surge espontaneamente, mas forçado e paralelo. E refiro-me a conversas entre mulheres que se consideram desempoeiradas, de experiência sexual assumidamente não monogâmica, supostamente libertas de estereótipos, com estudos superiores. Acontece mais ou menos assim: uma das participantes reprova o comportamento “libertino” de uma ausente, dizendo «Ela, desde que se divorciou, anda com todos», «perdeu a dignidade», «sai com um diferente todos os fins-de-semana». Deixo que a falante prossiga, que outras reiterem, até que o assunto se esgota. Então, ataco:

— Com todos? Com quantos? Os homens tiraram-lhe a dignidade de cada vez que ela fodeu? Onde é que ela a tinha? Falta-lhe algum pedaço? Se ela vai com quem lhe apetece, qual é o teu problema?

O embaraço instala-se, corre em relativizações («Não era bem isso que eu queria dizer»), assoma aos olhares. Eu continuo:

— Então, para permanecer digna, com quantos pode foder? Quantos? Digam-me o número a partir do qual a dignidade fica feita em frangalhos.

Alguma mais corajosa adianta: «Acho que não é a mesma coisa ir para a cama com um (vá lá, dois ou três) ou com vinte...»

— Repito: digam-me qual é o número a partir do qual é puta. Sim, porque é essa a palavra que todas vocês têm na cabeça. Mas lembrem-se que quase todas as putas fodem sem prazer e sem poder de escolha; já ela, não só escolhe e troca de parceiros porque isso lhe dá prazer, como eles não lhe pagam. É um comportamento de risco? Até concedo — mas esse não foi um argumento vosso.

Instala-se o silêncio, a mais cordata muda o rumo da conversa já meio azeda e, muito raramente, alguém diz que tenho razão, que é um preconceito, que as coisas vistas assim mudam de figura, que devemos pensar antes de reprovar a vida sexual de uma mulher, que ninguém diz estas coisas de um gajo que ande a saltar de cama em cama.

Pois é, apanha-se mais depressa um preconceituoso do que um coxo, sobretudo quando a questão é o que as mulheres fazem com o seu corpo, com o SEU sexo. Atavismos forjados durante séculos de repressão sexual, de hipervalorização da castidade.

Se tiverem coragem de testar a reacção a este tema, experimentem. E já agora, puras donzelas, mais tento na língua, que precisais dela para funções mais nobres. E vós, homens de juízo fácil, mais trabalho na cabecinha, que precisa de estar em forma para quando vos aparecer uma Maria-vai-com-quem-QUER.

Ah, e antes de atirarem a primeira pedra, pensem nos telhados de vidro. Ou então assumam-se: admitam que o que queriam era vestir burqas às messalinas.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

And the Oscaralho goes to... Sergi López

Um pouco de timidez, uma entrega honesta e generosa fazem deste actor de rosto camponês aquele homme d’à côté que apetece enfiar na cama muitas vezes para viver um segredo picante e doce. Mas o que o faz merecer o Oscaralho desta edição é o desempenho perfeito no filme Une liaison pornographique. Não é para todos, nem esse tipo de relação, nem esse modo raro de foder falando e ouvindo falar.

Com um parceiro destes, eu seria Natalie Baye.

Reparando melhor, entre os minutos 29 e 33, Natalie, c’est moi!


(Não encontro na Net o filme em francês, o que é uma pena, porque foder na belle langue é outra coisa, n’est-ce pas?)

sábado, 22 de novembro de 2014

Rio abaixo, rio acima (3):
Apeadeiro

(parte 2)

Fomos os únicos a sair daquele comboio quase fantasma, naquele apeadeiro perdido, deserto. Más coordenadas para o crescimento local, excelentes para o desenvolvimento fodal.

Por um instinto que me vem do fundo da cona, conduzo-te por uma vereda sinuosa. Vamos dar a um trio de árvores frondosas. Sem demoras nem rodeios, encosto-me ao tronco do castanheiro, abro os braços para acolher o teu corpo nitidamente excitado. Abro-te a braguilha, donde retiro o teu caralho à foda afeito. Não lhe resisto e rodeio-o com ambas as mãos. Quente, quente e duro, duro como é seu dever em hora tão propícia. Fricciono-o com uma lentidão dolorosa, já que mil línguas de fogo me lambem as entranhas. Ah, mas antes quero ter-te na boca. Devias ter outra piça e talvez outra ainda para me foderes toda. Digo-to e tu sorris:

— És louca!

Louca por foder, foder como uma per-di-da — seja lá isso o que for —, foder com a tua alma, o teu coração, ainda que a tenhas vazia e o tenhas vadio. Aqui e agora, nestes alegres campos, sob estes verdes arvoredos, são meus os teus braços, a tua boca, os teus dedos. Meto-os na minha cona que em agitação húmida me palpita, tocas-lhe com um remeximento sábio e saboroso. Peço-te que ma agarres com a mão toda, com a delicadeza e a determinação úteis a quem apanha um fruto maduro escorregadio ou um simpático bicho esquivo. Dizes-me, baixando-te com uma desenvoltura felina:

— Quero tê-la toda na boca.

Teu dito, teu feito. A tua língua voga dentro dela, procura-lhe os recantos mais recessos com um virtuosismo de primeiro violino, que digo — ai! —, é verdade que é de música que se trata, pelas cordas secretas que sinto tangidas onde nem as imaginava, ó descobridor das ilhas encantadas que me habitam, Gama da minha íntima Índia, Cabral do meu encoberto Brasil!

Preciso que pares para que juntos sintamos o ritmo do minuete que me vibra dentro.

O chão está coberto de verde manto que nós cobrimos da carne febril dos nossos corpos: o meu, primeiro, de bruços, o teu, sobre o meu. Servindo-me do apoio de uma almofoda improvisada com o meu casaco, levanto as nádegas. Abro-as, oferecendo-te a entrada. Tomo a tua haste e roço-a entre as minhas culinas traseiras, dando as boas-vindas a tão sôfrego peregrino que, por sua vez, favorece a hospitalidade com lentescentes e cálidas expressões. Damo-nos ao teasing do vai-e-vem, insuportável, porque não apetece findar nunca, nem prolongar mais. Faço um gesto repentino e tu mergulhas nas minhas profundezas. Da boca um grito me sai, do corpo uma comoção quase violenta, e assim, todo imerso, ficas imóvel, barco fundeado em posição de receber a minha ondulação muscular interna.

Perguntas-me como eu quero que te venhas. Ah, como sabes que gosto de escolher, vá lá, acordar, o modus veniendi, generoso viajante ao centro da terra? Digo-te:

— À entrada do cu.

Não sei se foi por surpresa, se foi por a teres já tão presa, que de imediato cumpriste o meu mui urgente desígnio.

Sei que foi com luxúria pura que recebi o impacto do teu jorramento. A mesma que agora sinto, só de contá-la.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Rio abaixo, rio acima (2):
Rio acima

(parte 1)

O leito do rio ora se espreguiça em vales abertos, ora se estrangula entre os braços apertados de rochas abruptas, numa sucessão imprevisível que não dá descanso aos olhos. Trocamos impressões deslumbradas, recriminamo-nos por não termos feito esta viagem há mais tempo. Lembro-te que acontece conhecermos melhor o Colorado ou os Alpes do que as nossas serras e rios. Corremos mais depressa atrás do distante do que do perto.

O comboio parou num apeadeiro, dizes:

— Nem sempre, agora não correria atrás de nada, a não ser para os teus braços.

Entra um casal de idosos, acabou-se a brincadeira.

Mas começa outra. Acorrentados pelo decoro devido à provecta idade destes passageiros, adaptamo-nos.

Protegemo-nos dentro de longos silêncios, enquanto eu te massajo a majestosa piça com os meus pés pequenos. A sensação dela dura, quente e palpitante como alguma coisa com vida própria lança sucessivas vagas contra o interior da minha gruta, que sobem pelas colinas mamárias, resvalam pela praia da minha pele, escoando-se na boca aberta em grito mudo, nas pálpebras cerradas pelas mãos da Dona Tusa. Com uma mão, apertas-me o pé contra a tua verga granítica, com a outra, acaricias-me a perna alçada. De vez em quando, abro-as para que me entrevejas a boca que de novo te quer comer. Olhas e fechas os olhos, levanto-me e, ao abrigo dos olhares dos vizinhos septuagenários, meto os dedos na tua boca. Olhando para a paisagem, sussurro-te ao ouvido:

— Diz-me o que querias fazer agora!

— Penetrar-te até ao fuuuuundo...

— Vem!

Dou-te a mão e encaminho-te para o hall da carruagem, procurando um ângulo cego para os outros ocupantes. Reparo num varão a que me seguro, dando-te as costas. Tenho uma das melhores sensações, uma daquelas que me faz sentir fêmea faminta, que é a de sentir um grosso e duro pau a aquecer-me o cu. Com discretos movimentos, ajeito-o no meio das minhas nádegas, empinando-as, roçando-me, roçando-me. A custo, abafamos a respiração caótica. Digo-te, já muito quieta:

— Se entrares dentro de mim agora, venho-me.

Levantas-me o vestido, abres as tuas calças, seguro-te no caralho em riste e oriento-o para a minha/sua caverna, para onde deslizas. Como pressentira, o orgasmo acontece imediato, percorre-me o corpo, deixa-me os braços trementes e lassos. Quente e ruborizada até ao sétimo céu do cérebro, aquieto-me para prolongar o gozo, como quem sorve um vinho raro. Apetecia-me ficar assim muito tempo. Não, não! Apetecia-me era foder, continuar fodendo, naquela posição, noutra igualmente boa, ou melhor ainda, ali, no carro, na cama, no sofá, na cadeira, na mesa, no tapete, no chão de erva macia...

Ah, tive uma ideia.

— Descemos na próxima paragem?


(continua)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Rio abaixo, rio acima (1):
Rio abaixo

Sabendo que gosto muito de comboios, convidaste-me para um passeio numa linha que seguia à beira-rio. Sabendo eu dos teus interesses em relação à minha pessoa, disse-te que sim, que um dia faríamos o passeio juntos. Creio que, no fundo, não esperavas que aceitasse, pelo modo como reagiste:

— Quando, quando?

— Calma! Sabê-lo-ás em seu tempo.

Uns dias depois sonhei contigo, vá-se lá saber por quê. Acordei a sentir o teu pau duríssimo todo dentro de mim. Fiquei quieta, mas em ebulição entre as pernas e a cabeça. «Tens de foder, Méssaline», disse a mim mesma, «foder com urgência, com esse gajo». Liguei-te, disseste-me prontamente:

— Dá-me meia hora!

E cumpriste. Saudaste-me:

— Que bonito vestido, fica-te muito bem. Só tu andas de vestido fora do Verão!

Era outra meia hora até à estação, fomos no teu automóvel. Falavas com nítida satisfação. A mim apetecia-me ter as tuas mãos pelas minhas pernas acima. Estavas mesmo contente e continuavas a falar. E eu a olhar para a tua boca, a tua nuca, as tuas mãos na manete das mudanças, os teus pulsos finos, as tuas pernas, e a lembrar-me de ti todo enfiado na minha cona, no sonho, e a ficar com a cabeça a andar à roda do mesmo pensamento.

Chegámos, tomámos um café, bebida que me dispõe para a acção e me predispõe para o coito.

Trataste dos bilhetes, ajudaste-me a subir com requintes de cavalheiro que aprecio, que me afagam o espírito e a passarinha. Havia poucos passageiros — talvez tenha sido isso que levou depois ao fecho da linha —, escolhi uma carruagem vazia. A viagem começou, comentavas a paisagem, chamavas-me a atenção para as curvas do rio, estreito e muito bonito. Descruzei as pernas e abri-as um pouco para que o espaço entre a bota de cano alto e o vestido ficasse um pouco descoberto. Ficaste calado e com os olhos colados à minha carne exposta, durante uns infinitos segundos. Estiquei uma perna até ao teu assento, em frente do meu, e meti-a no meio das tuas. Perguntei-te:

— De que é que gostas?

E tu, surpreendido:

— Eu?!

— Sim, de que é que gostas da paisagem...

E toquei-te com a ponta da bota na piça. Disse-te:

— Espera!

Tirei a bota e repeti o gesto, agora só com a meia. Imediatamente, agarraste-me no pé e levaste-o à tua boca, olhando-me nos olhos. Desceste as mãos pela perna, acariciando-ma. Tirei a outra bota para sentir com os pés o teu membro, já bem duro. Acariciei-to com esses trejeitos de gueixa que toda a iniciada nas artes amatórias deve dominar.

Abri as duas pernas o suficiente para entreveres que não levava cuecas. Isso deixou-te speachless, querias vir para o meu lado. Empurrei-te com um pé para o teu lugar, tinha a cona escorrente. Meti-lhe dois dedos, ostensiva e profundamente, levantei-me e meti-tos na boca. Sentei-me no teu colo e disse-te com voz de mando e de desespero:

— Quero-te foder!

Antes que pudesses dizer alguma coisa, abri-te o fecho das calças, retirei a tua piça entumecida e sentei-me nela.

— Pode vir alguém!

— Se vier, temos tempo de nos recompor. Por que achas que vim de vestido?

E comecei a foder-te, deliciosamente cavalgando o teu caralho. Não tardei a vir-me, que eu nunca tardo. Fiquei quieta e disse-te:

— Sente-me, sente-me!

E abafava os gritos de prazer que me subiam à garganta.

— Agarra-me as mamas, não, as ancas!

E tu, assoberbado:

— Precisava de ter mais braços, de ser um polvo.

Desabotoaste-me a parte de cima do vestido, que havia escolhido camiseiro para o efeito. Senti as tuas mãos nos meus mamilos e avisei-te que ia ter um novo orgasmo, o que te surpreendeu. Lembrei-te da minha fama: «Méssaline, a mulher que se vinha demais». Disseste:

— Mas não imaginava que pudesse ser assiiiiiiiim.

— Então, habitua-te e faz-me vir mais.

— Sim, mas se não nos acalmamos um pouco, venho-me eu...

— Vem-te quando quiseres, se me prometeres que fodemos outra vez ainda hoje.

— Sim, sim, claro, o dia ainda agora começou.

Ah, temos homem, pensei. Levantei-me e sentei-me de novo no teu colo, desta vez com as costas voltadas para ti, espetando-me toda pelo teu mastro abaixo, até ao fundo, até à raiz. Pedi-te:

— Desce um pouco as calças.

Libertei-te, e enquanto me exercitava em movimentos amazónicos, acariciava-te essas partes anatómicas masculinas que tanto aprecio, pela súbita delicadeza, contrastante com a piça impante. Ora os aninhava na concha da minha mão, ora lhes passava as costas dela. E, como sempre neste suave gesto, apeteceu-me tê-los na boca. Alcei-me, ajoelhei-me à tua frente e lambi-os, abocanhei-os com temperança, subi até à base do teu caralho tensíssimo, rijíssimo e disse-te:

— Dá-me essa esporra toda na boca!

— Então, chupa-me até me vir!

E chupei, e vieste-te tão lindamente, tão gostosamente, dando-me o primeiro jorro dentro da boca e depois fora, na cara, nos lábios, para eu ver, como gosto e exijo, enquanto eu expelia o que me havias dado. Mas não era por recusa que o devolvia, era por pura tusa de senti-lo escorrer por mim, e tu soubeste apreciá-lo assim.

Uns minutos depois, chegava o revisor, estávamos nós ainda tontos e suados da maravilhosa foda. Se fosse religiosa, dir-te-ia: «Deus te abençoe a piça!»


(continua)

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Fingir orgasmos

Há vários tópicos recorrentes nos escritos sobre sexualidade feminina com os quais nunca senti qualquer identificação. Desta vez, centro-me apenas neste: fingir orgasmos.

Já me chegaram a dizer — com a convicção de quem pronuncia uma verdade absoluta, que não me atrevi a contrariar para não perder o espectáculo próprio de algumas generalizações — que TODAS as mulheres fingem, que não há nenhuma que o não tenha feito pelo menos uma vez. E como tento evitar guerras com fêmeas, por princípio, mas também por já as ter na minha conta em medida muito superior ao que queria, enrolo os meus pensamentos para dentro. Hoje vou desenrolar alguns:

  1. Então, se por incompetência do cavaleiro ou quebranto da montada, a viagem não chega a bom termo, vou fingir que sim, que aaaah, aaah, aah, foi muito bom? Para quê? Para o macho ficar com o ego inchado e poder continuar cavalgando com a irresponsabilidade dos iludidos? Se ao menos tivesse a poesia de um Quijote! Não! Não faço favores sexuais a ninguém!

  2. Se o desastre da foda mal-dada, mal-acabada, aconteceu, por ejaculação precoce ou outra miséria com o mesmo resultado, mostro o meu desagrado. Fica o cavaleiro triste, com o ego murcho? Azar, há que ser consequente, há que foder com responsabilidade. Mas fingir, JAMAIS!

O que eu tive de fazer várias vezes na vida no que toca a orgasmos não foi fingi-los, mas disfarçá-los. Eis como e por quê:

Precoce na revelação do prazer, dediquei-me a explorá-lo, a desenvolvê-lo. Não havia em casa esquina de mesa ou cadeira cujas potencialidades orgásmicas eu não tivesse experimentado e apurado, não havia aula aborrecida que não aproveitasse para divertir o meu pipi. Mas cultivar este jardim secreto exigia muitos cuidados, muita camuflagem, muita arte do disfarce, não só enquanto o regava, mas também na hora de lhe colher as flores. O que vale é que, boa aluna, os professores julgavam que os olhos brilhantes e fixos, a face ruborizada, a posição imóvel eram sinais de entusiasmo pelo que diziam, que lhes bebia as palavras...

No Secundário e na Universidade, partilhei quartos com outras raparigas. Elas a adormecerem e eu a procurar posição propícia ao manejo silencioso; elas a irem à casa-de-banho e eu a usar as mãos com urgência; elas a chegarem e eu a engolir os gemidos que me apetecia lançar às golfadas, a tapar a cara para esconder os vestígios do êxtase.

Ainda hoje, no trabalho, nos restaurantes, nas bibliotecas — oh, a tusa das bibliotecas... —, quantas idas estratégicas à casa-de-banho donde regresso com ar de quem viu Nossa Senhora e ainda não acredita no que lhe aconteceu! Por vezes, sentindo-me ainda iluminada pela epifania, alguém se atreve a fazer o papel de Craft perante o rosto flamejante de Carlos da Maia ao receber a primeira missiva de Maria Eduarda: «O que tens?», «O que aconteceu?» Respondo consoante a disposição de momento: retoco o fond de teint ou digo com o tom mais natural do mundo: «Tive um orgasmo». Depois, quase tenho outro ao gozar a incredulidade de quem ouve esta pura verdade.

Fingir? Finja quem lê!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Comer

Méssaline adora comer. Mas não come qualquer coisa. Só iguarias, pitéus, gourmet.

O problema é que é preciso provar o produto para saber se merece esta distinção. Se a degustação confirma a suspeita, a premonição, então Méssaline saboreia, detém-se, repete, para que o gosto exquis lhe permaneça no palato, lhe inunde o cérebro de rememorações que lhe provocam um delicioso frisson e um desejo de mais, mais...

E como é cozinheira dada à experimentação, imagina variações de sabores, aromas, temperos prévios, tempos de confecção em fogo vivo e em fogo brando. Na primeira oportunidade, mete mãos à obra, vai apurando, vai dando voltas ao acepipe até que este atinja o ponto exacto de deflagração de sabores, o desabrochar pleno das suas íntimas suculências. Então, festeja o feito com um longo huuuum. Serve-se, convoca todas as terminações nervosas do corpo à boca e entrega-se à função com requebros de sacerdotisa (sacerdotease?). Não quer perder um grama, uma gota do manjar, um segundo do ritual alucinante. Sente-se transportada até ao sétimo céu, para o jardim das delícias, topos sem ubicação nem temporalidade, onde a ausência de gravidade a faz flu-flu-tu-aaar em suavíssimas ondas mornas.

Se, pelo contrário, a degustação infirma a suspeita, Méssaline, simplesmente, deita o alimento no contentor do lixo não reciclável. E prefere a fome, o jejum, a meter no seu corpo qualquer coisa. Tem de ser alimento raffiné. Pedante? Snob? Esquisitices do caralho, talvez.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

(con)Sorte

Escapadinha a dois: eu e o Rogério na Serra da Estrela, num dos meus hotéis favoritos em Portugal, para um fim-de-semana de quatro dias. Tempo perfeito, ambiente perfeito, sexo, se não perfeito, bem próximo disso e com muita vontade de praticar afincadamente com vista à perfeição.

Mas a serra é demasiado bela para ficarmos pelo vale dos lençóis. (Haveria muito tempo para isso de volta em Lisboa.) Assim que, para variar das fodas matinais e do que a noite nos traria, decidimos passar uma tarde em passeio pela região, aproveitando para fazer um idílico piquenique (prontamente providenciado pelo serviço de quartos do hotel...) num pequeno reduto de bosque que à data ainda não tinha ardido.

Após o aprazível repasto, e em jeito de sobremesa, a previsível foda pós-prandial: à brisa morna que nos lambia os corpos nus, entregámo-nos ao clamor do sexo, o esplendor na relva. (Tínhamos, como diriam os franceses, la fièvre dans le sang...)

Assim devidamente reconfortados de corpo e espírito, seguimos para o circuito habitual: Vale Glaciar, Manteigas, Vale do Rossim, Sabugueiro, Loriga. Não sei como, quando demos por nós estávamos no centro da cidade de Seia, afastados de paragens mais serranas. Foi certamente a Providência, pois logo uma loja de roupa inesperadamente promissora atraiu o meu olhar. O Rogério estacionou ali perto e entrámos.

A proprietária estava sozinha, nem uma cliente percorria aqueles cabides de perdição. Era, de facto, um achado num recanto insuspeito e, com preços convidativos, oportunidade a não descurar. Devo ter passado mais de uma hora lá dentro, provando vestidos em sucessão, pondo a loja em estado de sítio.

A proprietária estava fascinada (no fim acabámos comprando cinco ou seis peças), correndo de um lado para o outro, ajudando aqui, assistindo ali, mantendo a linha de prova a funcionar como uma máquina oleada. Mas o seu maior fascínio ia, claramente, para o comportamento do Rogério, que participava entusiasticamente em todo o processo, “folheando” como um louco os vestidos expostos, fazendo sugestões (acertadas sugestões) umas atrás das outras:

— Ora experimenta lá este, que te realça a linha dos ombros.
— Este, este, que a cor fica-te de morrer!
— Estas calças é que iam bem com aquela túnica, querida...
— Não haverá aqui nada mais diáfano?

Tudo isto (des)temperado num jogo de tusa mútua, com as suas fulgurantes incursões à minha cabine de prova, alvorotamentos a que as cortinas mal emprestavam um significativo disfarce.

A certa altura, a senhora não conteve a sua admiração e segredou-me:

— Que sorte a sua! Habitualmente os maridos não são assim: olham impacientemente para o relógio, morrem ali para um canto...

— Pois... — respondi eu, assertiva. — Mas ele não é meu marido: é meu amante.

A lojista enrolou as mãos numa tarefa vã e desviou o olhar sem rumo, visivelmente incapaz de decidir-se quanto à melhor maneira de reagir.

— E não é uma questão de sorte — rematei —, mas de saber escolhê-los.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

SMS: Short Message Sex (4)
Navegar é preciso

Mensagem de Méssaline:

Segunda-feira, 06:27

Bom dia. Não durmo... Penso em nós, ontem. Ao meu corpo apetece-lhe de novo o teu. Beijos longos e profundos.
Mensagem d'Ele:

Segunda-feira, 07:34

Anseio por te fazer vir as vezes que tu mereces, com a intensidade que só tu mereces!
Amo-te. <3
Mensagem de Méssaline:

Segunda-feira, 08:12

Tenho um ardor muito forte dentro do meu peito que me dará ânimo para suportar o que é preciso até chegar a hora de navegar: nos nossos corpos, nas nossas palavras, nas nossas emoções.
Mensagem d'Ele:

Segunda-feira, 08:49

Estou com tão pouca vontade de enfrentar este dia.
Só me alenta (sempre) a perspectiva do doce gosto do teu corpo e (esta manhã) a lembrança da tua cona, ontem, molhada antes que eu tivesse usado a piça! Só de escrevê-lo fico com tesão.
A ver como o dia corre, e se nos podemos encontrar um pouco logo à noite. Beijos <3
Mensagem d'Ele:

Segunda-feira, 15:56

Anseio pelo teu corpo esta noite e sempre!  :*
Mensagem d'Ele:

Segunda-feira, 21:13

Vou a caminho da minha casa. Quando o meu amor me quiser...  ;-)  <3
foda e mais foda, e mais foda
Mensagem de Méssaline:

Terça-feira, 08:50

Gostei muito do nosso encontro de ontem. Sinto, após tanta explosão, o meu corpo e o meu espírito mergulhados numa paz imensa.
Mensagem d'Ele:

Terça-feira, 09:20

Também gostei muito da nossa noite. Não imaginas o quanto me dá prazer fazer-te vir (ver-te vir)!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

«Sexuellemente, c’est-à-dire, avec mon âme.»

Écrits pornographiques

Boris, mon maître!


Os teus Écrits pornographiques incitam-me a escrever-te. Não, não vou cracher sur ta tombe, embora esse meu eventual sacrilégio te pudesse agradar, creio, porque tu não és um morto com a pele igual à dos outros.

Tenho é coisas a dizer ao teu ouvido musical, coisas que só um jorrador de espumas dos dias é capaz de entender.

Primeiro: o que mais me excita em ti é o teu humor. Haverá escritos eróticos sem humor, haverá escritos pura e duramente pornográficos despidos d’esprit, mas não há visitante da minha mina escura, colaborador da exultação dos meus pontos G (sim, tenho mais do que um ponto, tenho um alfabeto inteiro...) que não tenha, preliminarmente, derramado pelo meu cérebro sementes de graça, de comicidade, que não tenha estimulado os meus neurónios com correntes jocosas, iconoclastas, que não tenha jogado brincos burlescos, irónicos, cómicos, no meu pavilhão auricular.

Segundo: permite-me que actualize a tua lista de inimigos do erotismo, acrescentando-lhe jornais de grandes tiragens, revistas cor-de-rosa ou cor-de-burro-quieto, espectadores de concursos abjectos, de telenovelas e reality-shows excrementícios, berradores dos campos de futebol, livros de auto-ajuda, sombras-de-grey e todo o escrito prêt-à-manger, isto é, mastigado por outrem, debitadores de paleio de engate, seguidistas da ortodoxia ideológica, moral, estética, conjugal, kama-sútrica, apóstolos da euforia perpétua, pastores das massas, funcionários das finanças, hirtos por engolirem tanto papel seco, manipuladores infatigáveis de iPhones, iPads e outras tabletes do ensimesmamento contemporâneo (se ao menos aplicassem o virtuosismo digital to jazz comme il faut...), arrastadores de tédio pelos centros comerciais, comedores de pipocas no cinema, praticantes da coscuvilhice de mesa de café, bocejadores da vida própria, governantes de valores cambaleantes e outros animais invertebrados, actores de revista à portuguesa e de stand-ups de chocalho, castos arrogantes, apóstatas da libertinagem, ociosos que nem se masturbam, desertores obstinados da melancolia contemplativa.

Terceiro: a tua conferência só se dirige a homens (e heterossexuais). Não concebeste auditório mais rico na variedade? Perdoo-te, porque me parece ser traço geracional. Pertences àquelas gerações de homens (ainda vivas, bem sei) que não vêem nas mulheres companheiras de feitos e de ditos, que dizem «as mulheres isto, as mulheres aquilo», como se as mulheres fossem uma classe homogénea, um rebanho obediente, sem ronhosas nem cabras. Para eles e para ti, éramos — e ainda somos — irremediavelmente o Outro, objecto do desejo, não sujeito dele. Não tens a culpa toda, mas lamento não te poder louvar uma posição que esperava do teu perfil revolucionário, a de fala e falo espetados na alvorada feminista. Tenho, por isso, de adendar o teu parágrafo sobre o que se pede à literatura erótica. Aqui vai:

«Penso que ela [a literatura erótica] deve ser antes de tudo uma preparação, uma incitação e uma iniciação para tod[a]s aquel[a]s que circunstâncias desfavoráveis, um meio social inadequado ou necessidades diversas privaram de [um primo de 18 primaveras ou de um professor bem-parecido; para todas aquelas cujos pais não tinham uma família amiga com um filho em idade de explosão hormonal, as que não participaram em festivais de Verão, desfolhadas, vindimas, as que não tiveram coragem para escapar à vigilância paternal e ir a bailes de domingo, matinés em discotecas e cinemas, as que não fizeram visitas de estudo, nem a universidade fora da terra, nem Erasmus, as pobres feias que não provaram o refinado entesoanço da corte prolongada até... aaaai... à vertigem, as que nunca leram um bom livro (todo o bom livro é erótico, quer na oferta sensual da minúcia descritiva, quer na brasa dos diálogos e actos amorosos), aquelas a quem não foi distribuída a sorte de um amante de imaginação poética e disposição balética no leito, as de corpo fechado pelo enxame de castradores].» «Para tod[a]s aquel[a]s enfim que, envelhecid[a]s antes da idade por uma instrução geral e obrigatória completamente absorvente, não tiveram tempo para se instruírem em particular nos deveres [da mulher] em relação ao seu corpo... e ao corpo dos outros».

Um destes dias, acompanho a tua marcha do pepino com uma do meu moranguinho, do meu pesseguinho. Não gostas da fruta com molho em «-inho»? Eu também não! Então, há-de ser da minha romã, do meu figo, do meu grelo.


Un bisou de mon âme, sexuelle comme la tienne.

Méssaline Salope

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Correio messalínico (3):
Quem é Méssaline Salope?

Em reacção ao post «Happy Méssaline», o leitor Come e Cala disse:

Durante meses questionei-me: quem será Méssaline Salope?

Será mesmo uma mulher boa e fodilhona como afirma? Com isto da internet nunca é de confiar. Não será ela de facto uma mulher velha, feia e encruada? Ou só velha, só feia, só encruada? Não poderá ser um homem? Ou a fabricação de algum estudo sociológico onde somos cobaias?

Estas perguntas perseguiram-me até que comecei a juntar os indícios:

Indício 1:

  1. Vítor Gaspar demitiu-se a 01/07/2013
  2. Méssaline iniciou o seu blogue a 05/08/2013, ou seja, 35 dias depois
  3. 35 é a idade de Méssaline Salope (fonte: Happy Woman)

Indício 2:

  1. Méssaline Salope e Vítor Gaspar nunca foram vistos ao mesmo tempo no mesmo sítio
  2. De facto, Méssaline Salope e Vítor Gaspar não foram sequer vistos ao mesmo tempo em sítios diferentes!
    (Clark Kent anyone?)

Indício 3:

  1. Méssaline Salope não percebe nada de Economia (vá lá, é um palpite meu...)
  2. Vítor Gaspar também não percebe nada de Economia (como se viu em 741 dias no cargo de ministro)

Estes três indícios permitem-nos chegar a uma surpreendente conclusão:

MÉSSALINE SALOPE É VÍTOR GASPAR!


Méssaline responde:

Caro Come e Cala, a sua teoria é interessante, mas sofre de duas debilidades:

  1. Basear qualquer conclusão no artigo da Happy Woman é tão arriscado como fiarmo-nos nas previsões económicas de Vítor Gaspar... Conforme eu disse antes, referindo-me ao artigo da Happy Woman: acreditar com moderação.
  2. Se eu fosse de facto Vítor Gaspar, então ainda teria fodido mais gente do que afirmo aqui na Boîte.

Bisou!

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Está a lasciva e doce passarinha

Está a lasciva e doce passarinha
C’o dedinho entre pernas laborando;
O fluido favorável corre brando,
Despindo se livra da vã cuequinha.

O pontual caçador, que no caminho
Se vem, propício e esperto, aplicando,
Com pronta vista a seta endireitando,
Se dá ao Esfreguíceo lago, seu ninho.

Desta arte a bichinha, que vaga andava,
(Posto que já de longe destinada)
Onde mais queria, foi bem fornida.

Porque o frecheiro teso se esforçava,
Para que ela ficasse extasiada,
E a mais monteadas ficasse atida.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Al-moço

No léxico messalínico, Omar Borkan Al Gala, o modelo expulso da Arábia Saudita por ser demasiado bonito, é o perfeito exemplo do chamado almoço: jovem, árabe — e comia-o já.

Omar Borkan Al Gala

domingo, 28 de setembro de 2014

Happy Méssaline

Chegou este fim-de-semana às bancas o número de Outubro da revista Happy Woman. Nas páginas 152–153, a jornalista Carla Novo traz-nos um artigo sobre blogs eróticos portugueses, entre os quais esta Boîte à cochonneries à moi. A ler. E a acreditar com moderação. B)

Happy Woman,Outubro 2014, págs. 152-153

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

SMS: Short Message Sex (3)
Perpétuo movimento

Mensagem de Méssaline:

Sexta-feira, 13:53

Há na minha vida uma contínua insatisfação. Um perpétuo movimento para a frente, em direcção ao que não está ao meu alcance imediato. Até os abismos me atraem perigosamente. É assim. Farejo o desconhecido, o inaudível ainda, o estranho, o diferente, com o interesse de um cão faminto. Procuro algo que me arrase os sentidos, que me transborde dos membros, que me faça sentir ave. Procuro-o em todo o lado e já o vislumbrei na solenidade de uma paisagem, na selva de um olhar, num sorriso cúmplice, nos músculos incríveis de um felino, no olhar de um cão, nesse qualquer coisa que estala por dentro perante a exibição da arte.
Encontrei-o, completamente definido, nos últimos dias, nos teus braços e nas tuas palavras.
Mensagem d'Ele:

Sexta-feira, 14:05

Ai, Méssaline, minha paixão! É destes raios de sol que sobrevivo ao meu dia.
Ia entrar no e-mail e, apesar de estar a trabalhar, só pedia que estivesses online, para poder trocar contigo umas palavrinhas! Está a ser tão difícil concentrar-me seja no que for que não seja aquilo que eu e tu sabemos que é.............
Infelizmente não estavas online, mas o meu coração começou a bater mais rápido quando vi que tinha uma mensagem tua.
Conto os minutos para me te (?) entregar, todo, pleno, apaixonadamente. Só sendo teu SOU.
Até logo.
AMO-TE, AMO-TE, AMO-TE!
<3

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Voyage, voyage (8):
(h)Eros, bibere a me

(parte 7)


Deixo o general e a Messalina de outrora a posarem para o estatuário e entrego-me ao engenho e arte cunnilinguíca do Marcello.

Inicia o prefácio com uma frase de surpresa e agrado: «Humm, come sei lubrificata!» Segue com outra soprada, e as pétalas da orquídea abrem-se àquele suave e quente zéfiro. Depois, um período de metáforas, tiráforas, metonímias, tironímias, em regime redundante quantum satis. Toda esta retórica da língua esporeia o animus conal, abrindo mais, molhando mais — já me sinto no céu... da boca dele — é a abertura do Acto I, a busca da pérola que, uma vez encontrada, há-de ser tratada a toques, escorregamentos, leves e breves sucções, tudo feito com empenhada aplicação. Entusiasmo-me, fricciono a cona sobre a sua boca, percebo que precisa de ar, paro, até porque também me sinto entontecida. Encerra o acto passando os lábios ora numa ora noutra face interna das coxas, com uma brandura e um tempo musicais. Eu quero passar de imediato para o Acto II, que me penetre até ao fim, até ao fundo, sentir o tronco da piça subir-me ou descer-me — nem sei onde estou, como estou. Mas ele, detém-me:

— Aspetta, aspetta un po di piu!

Abre o acto seguinte com um ballet de dedos, primeiro em pontas, depois em movimentos mais incisivos, insiste quando sente as minhas preferências. Vai perguntando se gosto e de que gosto mais. Aturdida, respondo em monossílabos. Peço-lhe que me agarre a cona toda com a mão, que ma aperte entre os dedos, para que a sinta palpitante como um animal vivo, que me morda os dois lábios ao mesmo tempo, para o que é preciso perícia, mas estou perante um mestre dos verdadeiros. Exorto-o para que mo faça até ao limiar da dor de que lhe darei sinal e... venho-me na sua boca... Todo ele é uma personificação, uma aleg(o)ria da tusa pura. Ah, quero fodê-lo até se vir. Sento-me nele, sentindo-lhe cada cen-tí-me-tro. Aaaaaah! Cavalgo-o com uma volúpia a percorrer-me as veias, a desaguar-me nas mãos até as deixar dormentes.

Se, quanto ao epílogo, melhor é experimentá-lo que contá-lo, quanto à repetição dos actos ao longo dos dias com o Marcello...

Não se enrede o enredo neles
que sentidos são ainda eles
só de revivê-los
ai, pecadores!

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A vida de Méssaline

Por estes dias, começam os caloiros a chegar às universidades. Talvez por causa disso, recuperei do poço da memória, para minha própria surpresa, a letra de uma canção autobiográfica que escrevi nos idos em que também eu era caloira e aprendia a adaptar-me a uma nova realidade: cidade grande, controlo parental nulo.

A letra deve ser cantada ao som do tradicional “Mal-me-quer, Bem-me-quer”. Perdoem uma certa infantilidade do tema e da versificação, bem como a jovial desfaçatez — a juventude explica muito.



Cheguei um dia à FEUP,
Era caloira e tremia,
Mas já então o meu charme
Muito coração partia.

Apareceu-me um “engenheiro”
Que queria ver se me assustava,
Mas passado pouco tempo
Já aos meus pés ele se ajoelhava.

Não tenho culpa se sou
Uma moça tão jeitosa,
Nem que haja por aí
Tanta engenheira horrorosa...

Lá vem mais um engenheiro
Que por mim ficou apaixonado.
Vai com calma, engenheiro,
Primeiro há que ser seleccionado.

A vida de Méssaline
É uma vida atribulada:
Não é fácil habituar-se
A ser-se assim desejada.

Desta vez foi um “doutor”
Que não resistiu aos meus encantos.
São Fornício, o que é que eu faço?
Não pensei que pudessem ser tantos!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Oscaralho for the best “quickie” ever

O nome Ralph Fiennes no cartaz é um bom argumento para Méssaline escolher o filme.

Aquela voz melíflua a arrastar mistérios adensados pelo olhar quase vazio de tão cinzento, o toque aristocrático nos gestos suspendem a respiração. Mas onde ele aparece mais convincente é na cena do “Happy Christmas” d’O Paciente Inglês. Aprendei, homens de fraca vontade e de habilidade nenhuma para uma rapidinha («aqui não, pode aparecer alguém», «ali também não, que não dá jeito»). Reparai nas palavras que convencem a partenaire, na elegância com que lhe tira a flor-laço-broche, no modo rituálico como a despe, no polegar na boca dela — uuuuuuh... —, nos beijos de fome. Que belo presente de Natal!

Reparai que o essencial acontece: a concentração de todos os elementos de uma boa foda em escassíssimo tempo, dando que fazer a vários órgãos sexuais, incluindo o cérebro. O resultado? Uma insustentável vontade de foder maaaais, muuuuuito!

Vai para ele o Oscaralho desta segunda edição.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Voyage, voyage (7):
Messalina in Villa Jovis

(parte 6)


A preparação do jantar teve o erótico acompanhamento da degustação do vinho e o desafio da improvisação de um menu atractivo usando apenas o pouco que havia na despensa e no frigorífico. No sofá da varanda, com o som do mar em adágio, pergunto ao Marcello:

— Com’è Villa Jovis?

— È a Anacapri, la villa preferita di Tiberio, dove è stato per gli ultimi anni della sua vita. È bella, ma in rovina.

— Humm, mi piacciono le rovine romane...

Puxo-o para mim e provoco-o:

— Eu sou a tua Messsalina do século I, uma cortesã, e tu um legatus, um general de visita a Capri para dar notícias das legiões ao Imperador.

— Che ruolo difficile, che pericoloso.

— Eu guio-te. Acabas de chegar ao átrio da villa; Messalina, que soube da tua vinda, passa para ver o homem das proezas castrenses que mantêm o Império. Ela e mais umas tantas com a mesma curiosidade e apetites.

— Ma io vedo solamente Messalina.

— Sim, porque te lançou olhares concupiscentes. Quando reparaste nela, afastou-se com passos lentos, e amplos, para justificar o gesto de levantar um pouco a túnica de lado.

— Si e dopo...

Os lábios do Marcello pousam-me beijos suaves como penas ao longo dos braços, tangendo as cordas da minha caixinha de música.

— Depois, entras nos aposentos do severo e caprichoso Tibério.

— E che cosa fa Messalina?

— Retoca o penteado, prepara-se...

O Marcello procura a minha boca e beija-a com ânsia. Reclino-me e sinto o pau duríssimo, quente, retiro-lho das calças, toco-o com blandícia, ele faz um gesto em que adivinho o desejo de se despir. Imponho calma, continuo:

— A entrevista correu bem, deste boas novas ao Imperador, caso contrário, defenestrar-te-ia para a falésia. Estás animado pelas honras que te esperam, pedes vinho. Messalina apercebe-se e ela mesma to serve com lentidão solene, fitando-te as mãos, sentindo o teu olhar a passear-lhe pelo rosto, pelos ombros descobertos.

Sorvo um trago de vinho branco, bebo um pouco e transfiro o resto para a boca do Marcello. Prossigo:

— Ao passar-te a taça para a mão, roça-te nos dedos, olha-te nos olhos e roda sobre as sandálias com um súbito pudor... fingido. Tu agarras-lhe o braço.

— Si, no voglio Messalina lontana da me.

E aperta-me num abraço longo, procura-me a boca. A língua dele interrompe-me a narração. Com dois dedos toco-lhe nos lábios para o deter e pergunto-lhe se quer saber o que Messalina fez ao general.

— Si, voglio sapere tutto, ma questa è una cosa...

— Ela desce o olhar e vê-o tumefeito, assim como te estou a sentir agora na minha mão. Um impulso vindo das profundezas do seu íntimo impele-a a conduzi-lo para um recanto, levá-lo para uma banqueta, encher a sua boca com o sexo dele, como quero agora mesmo.

E faço-o, sentindo o prazer dobrado: o meu, real, presente, e o imaginário, do século I, da Messalina romana. Paro, ergo o tronco e deslizo os dedos pelo corpo generoso da sua piça, olhando-o. Hesito entre continuar sentindo na mão aquele membro soberbamente granítico, mas de cetinoso toque, e sujeitá-lo aos tratos da minha língua. Porém, invade-me uma súbita obsessão: sentir a piça nas mamas, para o que lha agarro, passeio-a por elas, massajo os mamilos com a glande, cuja suavidade e magnífico desenho lembram um botão de rosa a desabrochar, oh, mas muito melhor, porque quente, húmida, animada, útil...

— Come ti piace? Piano o forte?

— Ambedue, e a Messalina?

— Messalina volta a inclinar-se sobre o seu vitorioso general, solta as fíbulas da lorica musculata, aperta-lhe a pele do peito arfante, em leves beliscos, descendo, descendo... Na Villa Jovis está calor, como aqui, Messalina toma um grande golo de água, refresca a boca e verte o resto sobre o ventre nu do general.

— Dell’acqua fredda? È un po... controproducente, no?

— Com tanto calor, não. Queres sentir?

Encho a boca de água e provo-lhe que tenho razão. O Marcello lança um «ahhh!» de surpresa, suspira e diz:

— Humm, ma è buono!

Apanho a água que ainda o molha com langorosos e fruitivos movimentos de língua. Paro e volto ao século I:

— Messalina quer sentir o aríete do seu general a entrar-lhe no corpo, até ao fffundo, até a entontecer, até...

— Ma primo il tuo generale vuol mangiare la tua figa.

Ah, que boa lembrança! Vamos então ver se os combates por montes de Vénus, se as passagens pelos jardins da deusa calipígia tornaram este miles maximus num verdadeiro eruditus.

Messalina levanta-se, ergue a túnica e abre as coxas que faz descer até ao rosto — do general romano? do Marcello?


(continua)

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Voyage, voyage (6):
Il Paradiso

(parte 5)


Entrando no jardim, abraçamo-nos com um ímpeto que quase nos derruba, não fosse o amparo de uma palmeira. O calor cresce sobre o estribilho das cigarras, o sol exacerba o fúcsia das buganvílias. Recompomo-nos e o Marcello tenta abrir a porta, agarro-lhe nas mãos que se atrapalham, rimos. A porta abre-se sobre um espaço completamente amplo, dando protagonismo a objectos e mobiliário mínimos, tudo despojadamente branco com relâmpagos dispersos de azul. Reparo numa taça de fruta, escolho uma grande maçã vermelha, ofereço-lha:

— Il frutto del Paradiso!

— Vuoi essere Eva o Beatrice?

Eva, claro, mas preciso de um banho. Uns minutos depois, apareço nua, com a pele ainda húmida. O Marcello serve água com folhas de hortelã e limão.

— Benvenuta a questo mio modesto ritiro!

E enquanto ele toma banho, eu verifico como uma casa “modesta” de um arquitecto italiano é a revelação pura do sentido estético ímpar deste povo, e ergo um cacho de uvas negras, graúdas, melífluas. O Marcello aparece metamorfoseado em Adão e meto-lhe uns bagos generosos na boca, timbrando a cena báquica que o ambiente me suscita e cujo guião se desenrola já na minha mente, em versão revista e adaptada a este cenário com o Mediterrâneo ao fundo, agora cheio de uma cintilação tão cinética que mais parece própria de ser animado, talvez de um peixe colossal de escamas inquietas. É exactamente isto que digo ao Marcello quando volto a cabeça para o mar, no primeiro intermezzo, enquanto ele dissemina beijos pela minha pele suada.

— È vero! È un pesce, un pesce buono il giorno e molto cattivo la notte. Questa sera te va a mangiare tutta, Messalina.


(continua)

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Voyage, voyage (5):
La reina de roca

(parte 4)


Deixo a luz aguda de Nápoles, o relevo costeiro onírico, o olímpico azul do mar para inspirações mais pachorrentas. Agora quero apreciar o Marcello. À minha chegada, um ramo de flores oferecido com aquela naturalidade que os homens italianos deviam espalhar pelo mundo com a diligência dos exportadores ambiciosos. No barco, a atenção a todos os meus gestos e a prontidão com que me concretiza vontades, as expressas e as implícitas, ainda que infinitesimais... huumm... esta faceta cavalheiresca acelera o ritmo de alguma coisa girante dentro de mim que se vai manifestando em sorrisos cúmplices, no apetite crescente pela sua pele. Ele pede uma bebida refrescante, secundo-o. Segue a minha gesticulação labial própria de quem frui a frescura. Aproxima o rosto que olho com imenso agrado.

— Mi piacciono i tuoi occhi, le tue labbra.

Tomo-lhe a mão e faço bâton dos seus dedos, fitando-o. Ele abraça-me num sobressalto. Continuo a olhá-lo, meto o indicador e o médio da mão esquerda dele na minha boca, rodeando-os com os lábios. Sinto a outra mão do Marcello a procurar-me as mamas, e uma súbita, furiosa, insustentável vontade de foder traga-me os membros, o cérebro, o sexo. Mas onde, neste barco elegante em que nem uma escolta de golfinhos descompôs os viajantes? E ainda falta mais de uma hora até chegarmos ao ninho reservado pelo Marcello... Abranda-me a tortura a percepção de que estou a chegar a um dos lugares mais belos do mundo, a catedral marítima de Pablo Neruda, la molto esclusiva isola di Capri.


(continua)

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Voyage, voyage (4):
L’invitation

(parte 3)


Fosse eu de crença em assombrações, viveria aqui em susto permanente. Mas o silêncio nocturno de um château só me estimula a imaginação, forniciosa e não só. A sensação de paz chega a ser sepulcral e os inevitáveis ruídos dos meus movimentos parecem-me uma profanação. Pé ante pé, à pas de loup, estou já em frente ao frigorífico que abro com cuidados de assaltante. São três da manhã, um iogurte basta-me. Como-o pensando no dia seguinte e decido convidar o Marcello para um piquenique junto do lago. Volto para a cama, adormeço profundamente e acordo às 9 horas, muito tarde, portanto, para desfrutar os prazeres das manhãs estivais no campo.

Encontro o Marcello na sala de pequeno-almoço, convida-me para a sua mesa. Fá-lo irradiando alegria por todos os poros. Diz-me que por motivos de trabalho tem de regressar a Itália dali a três horas. Lamento e informo-o dos meus planos d’un déjeuner sur l’herbe. Diz que agora ainda lhe custa mais ir, privado do piquenique e da companhia. Faz-me reparar que andamos mesmo desencontrados; eu devolvo a chamada de atenção em modo optimista: os deuses concederam-nos o direito ao pequeno-almoço, agradeçamos-lhes por isso.

Antes de se despedir, corre ao jardim, colhe uma rosa de glandúlica corola e, num gesto teatral, oferece-ma:

— Una bella rosa per una bella donna!

Beijo-lhe a face, abraça-me com arrebatamento. Com surpresa, sinto-o sério.


Às 17 horas, recebo um telefonema. O Marcello convida-me para um piquenique... em Itália. No dia seguinte, pela manhã, espera-me no aeroporto de Nápoles.


(continua)

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Voyage, voyage (3):
Una giornata particolare

(parte 2)


Estava eu neste brando desassossego, quando, ao longe, ouço soar a tão bem conhecida música da língua italiana. Saltou-me a passarinha, retiniram campainhas interiores e exteriores, toda eu um ouvido só, grande, elefantino. Huumm, as vogais bem abertas e com curvas melódicas, o bater vigoroso das consoantes oclusivas, a efusão das chiantes... toda esta cadência expirada em máscula locução... Mamma mia!

Fui ver. Comunicava com o Charles num cómico inglitaliano. Ao ver-me, saudou-me como quem compromete todo o corpo no gesto: Buongiorno, signora! E o sol abriu-se no seu sorriso. Apresentámo-nos, era mais um amigo do Loïc, Marcello, di Roma. Convidou-nos — a mim e ao Charles — para o acompanharmos num passeio nel bosco. O Charles recusou gentlemanamente, eu aceitei, alegremente.

O italiano falava bastante, mas não me cansou os ouvidos sedentos da música da sua língua. Eu flutuava na onda da sua fala, movida pela visão dos gestos largos dos seus braços e pernas, pelas súbitas pausas dos seus olhos nos meus lábios. Falámos de livros, de cinema, de arquitectura, sua área profissional. Eu disse-lhe que para mim a palavra «Itália» era um passaporte instantâneo para a Viagem, ele perguntou-me o que conhecia do seu país.

O Marcello tinha combinado jantar na cidade, sugeriu que eu fosse. Não me apetecia ver muita gente, viera para repousar, declinei o convite com estas exactas razões.

Ao jantar, falei ao Loïc dos seus amigos, do inglês, para disfarçar o interesse no italiano. Talvez tenha percebido, porque passou mais de meia hora a falar do Marcello, a quem encomendara um projecto de restauro da ala nascente do château. Falou do seu extraordinário humor, agora beliscado pelos reveses de um delicado divórcio.

Deitei-me, peguei numa revista para adormecer, mas os gestos e as palavras daquele italiano não me abandonavam. Embrulhavam-se-me no corpo, amotinavam-se-me na cabeça.

Acordei com o Marcello ainda a boiar-me no hipótalamo, mas agora apenas a sorrir, a sorrir. Era de noite ainda, desci à copa para procurar alguma coisa para comer.


(continua)

sábado, 23 de agosto de 2014

Voyage, voyage (2):
Sexo zapatista

(parte 1)


Abro o livro Diana ou a caçadora solitária, em que Carlos Fuentes conta a sua efémera e tórrida paixão com a malograda actriz Jean Seberg.

Ela era tão voraz como eu desejoso de a satisfazer. Se o prazer masculino a que ela se referiu esta manhã era o simples, imediato, de me pôr em cima dela e vir-me,

Mau!...

nunca o fiz sem todos os preâmbulos, o foreplay, que a sabedoria sexual prescreve para satisfazer a mulher

A sabedoria... e o gosto, o prazer de fazer, senhor!

e levá-la até um ponto anterior ao culminar que conduza, com sorte, ao orgasmo partilhado, o coito emocionante, formado em partes iguais de carne e espírito: virmo-nos juntos, viajarmos até ao céu...

Simultâneo ou sequenciâneo, o que importa é que não seja nem demasiado cedo nem nunca mais.


[...] pedi-lhe um broche quando pressenti que ela queria mamar picha,

(A tradutora é de Lisboa, vê-se...)

que agarrá-la pela nuca e aproximá-la do meu pénis erguido, como se fosse uma escrava dócil, era o prazer que ambos desejávamos.

Nunca entendi esta fantasia masculina da felação como submissão; eu felo porque a minha boca gosta do sabor e de ficar cheia, porque os meus lábios ficam deliciosamente — e sensualmente — inchados, e também para ver o prazer do companheiro manifestar-se em palavras, interjeições, requebros brandos, gestos bruscos ou imobilidade absoluta.


Dei-lhe unguentos, reguei-a com champanhe uma noite, molhando-nos aos dois por entre gargalhadas;

Uauuu!

já falei do seu maravilhoso aroma vaginal de frutos maduros;

Aqui está um verdadeiro connaisseur!

passei-lhe a minha loção masculina nas axilas e entre as pernas; ela escondeu o seu próprio perfume atrás da minha orelha

Huuuuumm...


Lá se foi o repouso! Não sei em que ingenuidade súbita me deixei cair ao trazer um livro de um latino-americano para o château. Ainda para mais, este, que é mexicano e se atira ao sexo com ardor zapatista.


(continua)

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Voyage, voyage (1):
Les jours au château

Revisitei o château de um amigo, no vale encantado do Loire.

Depois de uma ociosa mise-à-jour banhada em excelente montlouis, o Loïc observou:

— Je ne crois pas que tu sois venue toute seule...

— Je suis venue pour lire, écrire et faire des photos de ce paradis.

Na manhã seguinte, acordei cedo como gosto e gasto. Enfiei-me num vestido ligeiro e num par de botas práticas, meti um livro, o moleskine e a câmara fotográfica no saco de passeio. Antes de sair, não resisti ao meu acessório de eleição, rouge absolu nos lábios.

O grande silêncio da manhãzinha quebra-se entre os meus pés e a gravilha, cresce a agitação dos pássaros assustados. É também grande a frescura da relva rociada e suave a brisa a bailar nas folhas. Inspiro profundamente, deixando-me penetrar pelos gozos matinais. Caminho ao acaso, seduzida pela ideia de ir, ir ao sabor do chamamento momentâneo de uma imagem, um fio de luz, o rumor de um animal... Perto da orangerie, uns passos. Avanço cedendo à mais pura curiosidade. De calças e botas de montar (uuuuuuuuh...), dobra a camisa no pulso esquerdo, depois no direito. Repara na minha aproximação, detém-se, cumprimenta-me, apresentamo-nos. O Charles é inglês, veio passar uns dias com o old friend Loïc.

Não sou devota nem da língua nem das línguas inglesas e este Charles deixou-me quase indiferente, por isso procuro poiso onde o corpo e o espírito possam conjugar-se sumamente, o que, a esta hora e neste lugar, é perfeitamente realizável no tragar de umas belas páginas enquanto o sol passeia as pontas dos seus dedos quentes pelas minhas pernas descobertas, moderadamente abertas.


(continua)

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

SMS: Short Message Sex (2)
Pensamentos, palavras, actos e emoções

Mensagem de Méssaline:

Sexta-feira, 07:10

Acordei com um incontrolável alvoroço no sexo. Fecho as pernas, deito-me de barriga para baixo, recordo-nos, sinto a tua piça dura dentro de mim e... o orgasmo acontece, mesmo sem tocar na cona.
E, já sabes, os orgasmos dão-me mais vontade de foder...
Mensagem d'Ele:

Sexta-feira, 07:16

Sensação sincronizada, pois acordei agora e apetece-me a mesmíssima coisa!  <3
Mensagem d'Ele:

Sexta-feira, 07:54

Méssaline, a beleza do teu rosto e o teu corpo dão-me prazer em quantidade e qualidade como nunca imaginei ser possível. A tua performance é um hino, uma sinfonia a este encontro de vontades dos corpos e dos espíritos, tão inesperado quanto intenso, tão vórtex quanto Evereste!
Amo-te e quero mostrar-to não só em pensamentos, mas também em palavras, actos e emoções. AMÉN! <3 <3
Mensagem de Méssaline:

Sexta-feira, 08:38

Vou levantar-me agora. Só penso em foder, foder muito, prolongar a maravilhosa sessão de ontem.
Quando ficares livre, diz-me.